O Exército dos Estados Unidos aumentou o limite máximo de idade para alistamento de 35 para 42 anos e flexibilizou regras para candidatos com condenações por porte de maconha. As novas medidas foram anunciadas na semana passada e entram em vigor em 20 de abril.

Além do ajuste na faixa etária, a administração passou a dispensar a exigência de autorização especial (waiver) para quem tem uma única condenação anterior por porte de maconha ou por itens relacionados ao consumo de drogas. Até então, esses candidatos geralmente precisavam aguardar entre dois e três anos e, depois, aprovar um teste de drogas para obter a liberação.

A mudança formalizou uma diretriz emitida em 2023, incorporada agora em regulamento interno do Exército, segundo nota da própria força. As novas regras aproximam os requisitos de idade adotados pelo Exército aos de outros ramos: a Força Aérea elevou seu limite de 39 para 42 anos em 2023, e a Marinha subiu de 39 para 41 anos em 2022.

Katherine Kuzminski, diretora de estudos do Center for a New American Security e especialista em recrutamento militar, afirma que a alteração visa alinhar o Exército a outros ramos e ampliar o acesso a profissionais com competências específicas, como em cibersegurança, logística e transporte. Kuzminski, coautora de relatório da Rand Corp. de 2022, lembra que recrutas mais velhos têm maior probabilidade de não concluir o treinamento básico, mas — quando o completam — costumam ser promovidos mais rapidamente e apresentam taxas de reenlistamento superiores às de recrutas com menos de 20 anos.

Segundo a especialista, a flexibilização em casos de condenação por maconha busca reduzir o tempo de concessão de waivers, que pode levar meses e levar candidatos a desistirem. Ela também ressaltou que quase metade dos estados americanos já legalizou o uso recreativo da droga, mas destacou que as Forças Armadas mantêm a proibição do uso de substâncias ilegais. Em comunicado, o Exército afirmou que não “aprova nem autoriza o uso de substâncias ilegais em nossas fileiras”.

O ajuste ocorre após anos com dificuldades de recrutamento. Em 2022, o Exército ficou cerca de 15 mil recrutas aquém da meta de 60 mil; em 2023 repetiu o déficit de aproximadamente 15 mil. Para 2024, o objetivo foi reduzido para 55 mil, número que foi atingido apenas por pouco. No ano passado, entretanto, as Forças Armadas registraram mais de 62 mil novos recrutas, superando a meta de 61 mil, segundo o Pentágono. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, atribuiu o desempenho ao apoio ao presidente Donald Trump.

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Oficiais do Exército também apontaram fatores como desemprego mais alto entre jovens de 16 a 24 anos e um programa de preparação lançado três anos atrás para ajudar candidatos a alcançar requisitos mínimos de desempenho escolar e índice de gordura corporal. Após 2022, as Forças Armadas investiram bilhões de dólares em campanhas de recrutamento.

Os Estados Unidos estão na quarta semana de conflito com o Irã, e o Pentágono ordenou o envio de cerca de 2.000 soldados da 82ª Divisão Aerotransportada para o Oriente Médio. Kuzminski, porém, afirma que as novas regras são mais uma resposta às dificuldades de recrutamento e ao envelhecimento da população do que ao conflito específico: apenas 23% dos jovens dos EUA atendem aos requisitos para servir sem precisar de waiver, e cerca de 10% veem a carreira militar como opção viável.

As alterações deverão ampliar o leque de candidatos elegíveis e facilitar a chegada de profissionais mais maduros a funções técnicas dentro da força.

Com informações de Infomoney