Brazilian Phonk: como o funk brasileiro conquistou o mundo

Se você navega pelo TikTok, provavelmente já se deparou com vídeos em que estrangeiros dizem: “I’m not Brazilian, I don’t speak Portuguese, but this song is fire”. Ao fundo, batidas eletrônicas e a voz marcante do MC GW evidenciam “Montagem – PR Funk”, faixa que, apesar de remeter ao funk, surgiu da mente de um produtor argentino e dá origem a um movimento chamado Brazilian phonk.

“Montagem – PR Funk” e o fenômeno global

Lançada em maio de 2023, “Montagem – PR Funk” reúne o trabalho do beatmaker S3BZS, do MC GW e do MC Menor da Alvorada. A música já ultrapassou 143 milhões de streams no Spotify e chegou à 28ª posição do ranking Hot Dance/Electronic Songs da Billboard. Trata-se de uma releitura do mandelão — subgênero do funk marcado por batidas pesadas e repetitivas —, agora mesclado com elementos do phonk, criando uma sonoridade híbrida que vem bombando nas plataformas digitais.

Funk versus phonk: origens e diferenças

Embora o nome seja parecido, funk e phonk são estilos distintos. O phonk nasceu nos Estados Unidos e ganhou força no TikTok em 2022. Sua característica principal é a sonoridade futurista, às vezes distorcida, com influências do rap, do hip-hop e da música eletrônica. Já o funk, genuinamente brasileiro, é reconhecido pela batida sincopada e pela temática periférica.

O pioneiro norueguês e sua paixão pelo funk

Uma das maiores referências do Brazilian phonk atende pelo nome de Slowboy. Com apenas 21 anos e natural da Noruega, ele acumula mais de 6 milhões de ouvintes mensais em serviços de streaming. Em entrevista à Billboard Brasil, Slowboy explicou que, ao explorar o funk nacional, ficou fascinado pela energia e pelo ritmo únicos do gênero.

Seu primeiro contato veio ao ouvir “Maldição Eterna”, do DJ GLK. A partir daí, o produtor decidiu experimentar a fusão do phonk com o ritmo brasileiro. Em 20 de janeiro, lançaram juntos “Brazilian Phonk Mano”, faixa com letra em inglês que já ultrapassou 76 milhões de reproduções no Spotify — e que deu nome ao subgênero.

Participação brasileira e colaborações internacionais

No Brasil, o duo Dragon Boys se destaca como principal representante do estilo. Formado pelos MCs Ramiro (29 anos) e Mauro (30 anos), de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, o grupo contabiliza mais de 1 milhão de ouvintes mensais. Apesar de reconhecer que produtores estrangeiros têm lucrado mais, Ramiro avalia positivamente a repercussão global. “Gravadoras internacionais como Black 17 Media, Aurorian Records e Void Of Phonk estão abrindo portas para nós”, afirma.

O momento-chave para o crescimento da cena ocorreu quando o inglês Kordhell, conhecido por produzir trilhas de filmes como “Velozes e Furiosos 10”, decidiu investir no Brazilian phonk. Ele convidou artistas nacionais, incorporou suas vozes e disponibilizou os créditos. Desde então, brasileiros passaram a colaborar com russos, israelenses e outros produtores, trocando arquivos e até usando ferramentas de tradução automática para viabilizar o trabalho conjunto.

Estética, games e TikTok

O Brazilian phonk carrega uma forte influência de games e animes, perceptível principalmente nas artes de capa. O nome Dragon Boys, por exemplo, é uma homenagem direta a “Dragon Ball Z”, animação que marcou a infância dos integrantes. Além de atrair o público jovem, esse apelo nostálgico também chama a atenção de quem cresceu na década de 1990.

No TikTok, o subgênero encontrou terreno fértil para viralizar. Com faixas curtas, repetição de palavras em português e batidas intensas, o movimento já acumula mais de 876,7 milhões de visualizações na hashtag #BrazilianPhonk, consolidando-se como uma das principais tendências musicais da plataforma.