BYD estuda instalação no Canadá e mantém opções estratégicas
A BYD, maior fabricante de automóveis da China, está avaliando a possibilidade de construir uma fábrica no Canadá e também considera a alternativa de adquirir uma montadora global já estabelecida, informou a vice-presidente executiva Stella Li em entrevista durante visita a São Paulo.
Segundo Stella Li, a companhia está analisando o mercado canadense para decidir sobre uma possível unidade de produção, mas nenhuma decisão foi tomada até o momento. A executiva deixou claro que a preferência da BYD é possuir e operar totalmente uma fábrica, descartando em princípio a viabilidade de uma joint venture.
O governo do Canadá tem incentivado investimentos de fabricantes chineses com a condição de buscar parcerias com empresas locais. Em janeiro, as autoridades canadenses decidiram isentar até 49.000 veículos elétricos produzidos na China por ano da tarifa de 100% aplicada em 2024, uma mudança em relação a políticas anteriores que restringiam a entrada de carros chineses.
Stella Li também afirmou que a BYD está aberta a assumir o controle de uma montadora tradicional, em um cenário em que concorrentes dos Estados Unidos, Europa e Japão enfrentam dificuldades para manter competitividade nos mercados globais. Embora nenhum acordo esteja próximo, a empresa vem avaliando potenciais ativos.
Como referência de aquisições chinesas no setor, a reportagem lembrou a compra da Volvo Cars pelo grupo Zhejiang Geely Holding há mais de uma década. Além disso, alguns fabricantes ocidentais têm buscado parcerias com empresas chinesas para acesso a tecnologia e capacidade produtiva: a Stellantis avalia aproveitamento de tecnologia de veículos elétricos da chinesa Leapmotor e negocia investimentos na Europa, enquanto a Ford manteve conversas com a Geely sobre compartilhamento de capacidade no continente.
A BYD já participou de joint ventures no passado, mas sua atual estratégia privilegia operar de forma independente, com forte integração vertical para concentrar internamente grande parte da cadeia de suprimentos e medidas de eficiência.
A empresa evita, por ora, entrar no mercado dos EUA, que Stella Li classificou como um “ambiente complicado”, citando tarifas elevadas e a proibição de tecnologia de carros conectados como barreiras à entrada de modelos de massa produzidos na China.
Em vez disso, a BYD foca em mercados onde pode aplicar seu chamado “modelo Brasil”, replicando o sucesso de vendas e marketing obtido na América do Sul em regiões como a Europa. A fabricante está em processo de aumento de produção em sua primeira planta europeia de veículos de passageiros na Hungria e estuda um segundo projeto na Turquia.
Imagem: Bloomberg
Nas duas primeiras meses do ano, as vendas totais da BYD caíram 36%, para 400.241 unidades, embora as exportações tenham apresentado recuperação. A empresa tem a meta de vender 1,3 milhão de carros no exterior em 2026.
Stella Li afirmou que os lançamentos recentes da BYD — a nova geração da bateria blade e a tecnologia de carregamento rápido Flash — devem ajudar a reverter a queda nas vendas e já atraíram clientes que nunca haviam adquirido veículos elétricos.
No Brasil, a empresa planeja instalar 1.000 carregadores com tecnologia Flash até o fim de 2027, investimento superior a R$ 500 milhões (US$ 97 milhões), segundo Alexandre Baldy, vice‑presidente sênior da BYD no país.
Stella Li confirmou também que a BYD analisa opções para entrar no automobilismo competitivo, incluindo a Fórmula 1 e provas de resistência, sem decisão final tomada, alinhando a possível iniciativa à ênfase da empresa em tecnologia.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6