A rápida expansão da inteligência artificial vem criando um desafio crescente para a infraestrutura responsável por rodar esses sistemas: manter data centers funcionando diante do aumento de eventos climáticos extremos. Ondas de calor, enchentes, incêndios florestais e ventos fortes elevam o risco de falhas, pressionam redes elétricas e ampliam os custos operacionais dessas instalações.
A recente onda de calor na Europa intensificou a preocupação de seguradoras e empresas de tecnologia, na medida em que operadores têm de resfriar chips cada vez mais potentes enquanto a população enfrenta temperaturas recordes. O uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado durante esses períodos também sobrecarrega a rede elétrica, aumentando a probabilidade de apagões que podem paralisar tanto sistemas de refrigeração quanto os próprios data centers que sustentam aplicações de IA.
Riscos e vulnerabilidades
Especialistas ouvidos pelo Olhar Digital afirmam que a tendência é de aumento da vulnerabilidade dessa infraestrutura. Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável da USP, destaca que eventos climáticos extremos tendem a afetar toda a cadeia de geração e distribuição de energia, e que data centers são grandes consumidores de eletricidade e de água para refrigeração, o que os coloca em posição sensível.
Para a seguradora Zurich, os fenômenos climáticos severos deixaram de ser um risco secundário e tornaram-se a principal causa de perdas nos últimos três anos, segundo Patrick McBride, chefe de Construção Internacional da companhia. McBride informou que o portfólio de riscos ligado à construção de data centers nos Estados Unidos já responde por cerca de um terço dos prejuízos da Zurich, e que muitos novos empreendimentos têm sido erguidos em áreas suburbanas e rurais, onde terrenos são mais baratos — locais que, no entanto, também apresentam riscos climáticos.
Um estudo da empresa First Street aponta que 79% da capacidade global de data centers está exposta a riscos elevados de desastres naturais agudos, como enchentes, incêndios florestais e ventos extremos. Esses eventos não apenas podem interromper operações como também elevar custos com seguros, manutenção e reparos.
Impactos na rede elétrica e resfriamento
André Flávio, Head de Engenharia, Pesquisa e Desenvolvimento em Energia da Capgemini Brasil, observa que o desafio vai além de garantir eletricidade: dissipar o calor gerado pelos equipamentos é hoje um dos principais obstáculos técnicos. Em ondas de calor, sistemas de refrigeração convencionais podem chegar a seus limites, aumentando ainda mais o consumo energético. Além disso, muitas soluções de resfriamento dependem de água, recurso que pode faltar em regiões atingidas por secas.
Segundo Flávio, racks destinados a cargas de IA concentram cada vez mais potência em espaços menores, criando pontos críticos de temperatura que exigem monitoramento em tempo real. Ele ressalta que eficiência energética, gestão térmica e segurança do fornecimento elétrico passaram a ter importância equivalente à capacidade computacional.
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Regulação, fontes renováveis e adaptações
Empresas do setor já promovem adaptações. A Microsoft afirmou à CNBC que projeta data centers para operar de forma confiável sob variadas condições ambientais, adotando critérios como escolha do local, sistemas redundantes e monitoramento em tempo real. A Nvidia anunciou avanços em eficiência energética, informando que seus novos servidores de IA utilizam resfriamento por líquido a até 45 °C — e que elevar em um grau a temperatura do sistema de resfriamento pode reduzir em cerca de 4% os custos de energia destinados à refrigeração.
Artaxo ainda diz que o crescimento acelerado desses centros exige limites: o aumento no consumo de água e eletricidade levou algumas regiões dos Estados Unidos a restringir novas construções. Segundo o pesquisador, não se pode supor que a IA compensará automaticamente seu próprio impacto ambiental ao melhorar eficiência em outros setores.
Especialistas acreditam que a combinação de planejamento de localização, investimentos em redundância e tecnologias de resfriamento, além de regulamentação que incentive energia renovável e critérios ambientais, será determinante para reduzir os riscos que eventos climáticos extremos representam para data centers e para a continuidade das operações de inteligência artificial.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6