Pesquisadores e usuários relatam que candidatos estão usando aplicativos de relacionamento, como Hinge, Tinder e Bumble, para divulgar currículos e prospectar vagas, diante da saturação de plataformas profissionais tradicionais.
Em dezembro, uma usuária do TikTok publicou que passou a usar o Hinge para procurar trabalho, compartilhando no perfil uma captura de tela de seu currículo e informando, na seção de “um objetivo de vida meu”, que pretende “encontrar trabalho nas indústrias criativas”. O vídeo soma quase 250 mil visualizações desde a publicação. Em atualização posterior, a autora relatou que o Hinge removeu seu perfil por violar as políticas da plataforma.
Outro relato presente nas redes afirma que uma pessoa conquistou um emprego com salário de seis dígitos após um encontro via Bumble. Há também usuários que dizem usar o Hinge para identificar profissionais da mesma área e perguntar diretamente sobre vagas.
NETWORKING FORA DO LINKEDIN
Segundo pesquisa da comunidade Glassdoor citada pela reportagem, 29% dos participantes declararam que estão usando ou considerando usar aplicativos de namoro para fins profissionais. Em outra sondagem realizada em outubro pela ResumeBuilder.com com cerca de 2.200 usuários de sites de namoro nos EUA, aproximadamente um terço afirmou ter recorrido a essas plataformas para assuntos relacionados à carreira no último ano.
Quase um em cada dez entrevistados indicou que o principal motivo de uso dos apps foi buscar emprego. As plataformas mais mencionadas foram Tinder, Bumble e Facebook Dating. A pesquisa também aponta que quase metade das pessoas que usaram aplicativos de relacionamento para fins profissionais declararam ter renda superior a US$ 200.000.
ESTRATÉGIA OUSADA, MAS EFICAZ?
Entre os que utilizaram aplicativos de namoro para networking profissional, 43% relataram ter recebido mentoria ou conselhos de carreira; 39% afirmaram ter conseguido uma entrevista; 37% foram indicados ou receberam contato direto; e 37% relataram ter recebido uma oferta de emprego.
Imagem: Jose Calsina esolidcolours via Getty Images
Participantes descreveram a prática como “estranha, mas eficaz” e observaram que é preciso audácia para abordar potenciais contatos em um ambiente originalmente destinado a encontros casuais. A reportagem também ressalta que a mistura entre busca por trabalho e contexto romântico pode gerar conflitos de limites, sobretudo quando há dinâmicas de poder envolvidas.
MERCADO DE TRABALHO PRESSURIZADO
O uso dos apps para procurar emprego ocorre em um momento de maior dificuldade no mercado de trabalho. Nos Estados Unidos, quem está desempregado leva, em média, mais de 23 semanas para encontrar novo emprego. Seis meses após o início da busca, um em cada quatro desempregados — cerca de 1,8 milhão de americanos — ainda procura trabalho. A taxa de desemprego de longa duração atingiu o nível mais alto em três anos, cenário que explica em parte a adoção de estratégias alternativas pelos candidatos.
Há, na reportagem, uma observação final bem-humorada sobre a inversão: seria preferível que as pessoas usassem o LinkedIn como plataforma de encontros do que ver os apps de namoro transformarem-se em canais de busca de emprego.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6