O debate sobre igualdade de gênero nas empresas avançou nos últimos anos, mas mulheres continuam a relatar episódios de machismo no cotidiano profissional, segundo reportagem da Fast Company Brasil. Essas práticas aparecem em reuniões, em processos seletivos e na distribuição de oportunidades, afetando participação, reconhecimento e credibilidade feminina dentro das organizações.

O que caracteriza o machismo no trabalho

O machismo pode se manifestar de forma explícita ou velada: comentários, atitudes e decisões que favorecem homens em detrimento de mulheres. Esse comportamento decorre, conforme a reportagem, de um modelo social histórico que posicionou o homem como autoridade natural, influenciando práticas profissionais e avaliações de competência.

INTERRUPÇÕES FREQUENTES EM REUNIÕES

Um cenário comum são as reuniões, onde estudos citados indicam que homens tendem a falar mais e a interromper colegas mulheres com maior frequência. Essas interrupções limitam a participação feminina e reduzem a visibilidade de ideias que podem ser relevantes para a equipe.

IDEIAS APROPRIADAS POR COLEGAS

Outra manifestação recorrente é quando sugestões de mulheres são ignoradas inicialmente e voltam a ser apresentadas por colegas homens, recebendo então reconhecimento. A reportagem recorda casos históricos, como o de Ada Lovelace, cuja contribuição técnica só ganhou destaque depois de referências de outros pesquisadores.

COMENTÁRIOS E PIADAS SOBRE TPM

Observa-se também o uso de comentários que associam mudanças de humor a TPM, o que reforça estereótipos de que mulheres seriam menos racionais ou profissionais em determinadas situações. Esse tipo de observação constrange e prejudica a imagem profissional das mulheres.

APARÊNCIA COMO CRITÉRIO DE AVALIAÇÃO

Em processos seletivos e avaliações internas, ainda há relatos de que aparência e roupas influenciam julgamentos sobre competência, colocando atributos físicos acima de habilidades profissionais.

Imagem: Efe

O PAPEL DAS EMPRESAS

Setores de recursos humanos e políticas internas de diversidade são apontados como fundamentais para prevenir o machismo. Medidas sugeridas incluem processos seletivos equilibrados entre homens e mulheres, evitar perguntas sobre vida pessoal ou filhos durante entrevistas e garantir igualdade salarial para funções equivalentes.

Programas de conscientização — treinamentos, palestras e espaços de diálogo — também são indicados como ferramentas para ampliar compreensão sobre igualdade de gênero e respeito no ambiente profissional.

DESIGUALDADE AINDA PERSISTE

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que menos de 20% dos cargos de liderança são ocupados por mulheres, apesar de interesse semelhante entre homens e mulheres por posições de chefia. Identificar e registrar ocorrências, além de buscar apoio nos canais internos, são caminhos apontados para enfrentar o problema e promover maior equilíbrio nas empresas.

O artigo foi publicado pela Fast Company Brasil e assinado por Joyce Canelle.

Com informações de Fastcompanybrasil