O órgão regulador de medicamentos do Reino Unido emitiu um alerta sobre um possível efeito colateral associado ao uso de canetas injetáveis para perda de peso e controle de diabetes, como Wegovy, Ozempic e Mounjaro. De acordo com a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde do Reino Unido (MHRA), entre os relatórios recebidos até o momento, foram identificados 1.296 episódios de pancreatite aguda vinculados a esses tratamentos, incluindo desfechos fatais.

Esses dispositivos são amplamente prescritos para pacientes com obesidade ou diabetes tipo 2, atuando como agonistas do receptor de GLP-1, hormônio intestinal que contribui para a regulação do apetite e do metabolismo da glicose. Embora a ação dessas medicações seja eficaz na redução de peso corporal e na melhora do controle glicêmico, a MHRA chama atenção para o risco – ainda considerado raro – de inflamação aguda do pâncreas.

O que é pancreatite aguda?

Pancreatite aguda é um quadro inflamatório caracterizado por dor abdominal intensa, náuseas e alterações nos exames de sangue, como a elevação das enzimas pancreáticas. Caso não receba atendimento rápido, a condição pode evoluir para complicações graves, incluindo infecções, falência de órgãos e, em situações extremas, óbito.

Entrevista com especialista

Para esclarecer dúvidas sobre o tema, o Olhar Digital News conversou com o endocrinologista Dr. Pedro Saddi, do Grupo Fleury. Na entrevista, o médico explica os possíveis mecanismos que levam à inflamação do pâncreas durante o uso dessas canetas injetáveis, além de orientações sobre como identificar os sintomas iniciais da doença e quais medidas devem ser adotadas pelos profissionais de saúde.

O alerta da MHRA reforça a necessidade de monitoramento constante por parte de pacientes e prescritores. O órgão britânico recomenda atenção especial a sinais como dor abdominal persistente, vômitos e elevação dos níveis de enzimas pancreáticas, orientando a suspensão imediata do tratamento e avaliação médica em casos suspeitos.

Canetas emagrecedoras ligadas a casos graves de pancreatite, alerta regulador britânico

Imagem: Divulgação

A equipe de saúde deve informar os usuários sobre os possíveis riscos e instruir sobre a importância de relatar qualquer sintoma atípico. Até o momento, a MHRA não sugeriu alterações nas bulas das medicações, mas mantém a vigilância sobre novos desdobramentos relacionados ao uso dessas terapias.

O acompanhamento clínico rigoroso e a comunicação transparente entre paciente e profissional de saúde são essenciais para garantir os benefícios do tratamento sem descuidar da segurança.

Com informações de Olhardigital