Ao longo da história, nossa percepção do tempo limita-se a dias, décadas e séculos. Para tornar palpável os 13,8 bilhões de anos do Universo, o astrônomo Carl Sagan apresentou, em 1980, na série Cosmos, o conceito de “Calendário Cósmico”. Nessa analogia, cada dia corresponde a cerca de 37,8 milhões de anos e o Big Bang ocorre à meia-noite de 1º de janeiro.

Início do Universo
Às 00h00 do dia 1º de janeiro, o Universo emerge do Big Bang. Quinze minutos depois, aparecem as primeiras partículas e átomos. Conforme dados recentes do telescópio James Webb, por volta de 9 de janeiro, surgem as primeiras galáxias. Até o fim de junho, o cosmos evolui em silêncio, forjando estrelas e elementos, até que, em 30 de junho, o cometa 3I/ATLAS parte em sua jornada pelo espaço.

Formação da Terra e vida
Somente em 14 de setembro deste calendário, a Terra se forma a partir de nuvens de gás e poeira. Onze dias depois, em 25 de setembro, iniciam-se as primeiras reações moleculares que dão origem à vida nos oceanos primitivos. Já em 28 de novembro, aparecem os primeiros organismos multicelulares, e em 1º de dezembro, plantas verdes iniciam a produção de oxigênio na atmosfera.

Entre 15 e 20 de dezembro, ocorre a Explosão Cambriana, marco da diversificação súbita de formas de vida. Pouco depois, plantas começam a colonizar a terra firme. No dia 25 de dezembro, os dinossauros dominam o planeta até sua extinção em 30 de dezembro, abrindo caminho para mamíferos e aves.

Ascensão humana em final de ano
Os primeiros hominídeos surgem há apenas duas horas do Réveillon Cósmico. Às 23h59 do dia 31 de dezembro, a agricultura e as primeiras civilizações aparecem, marcando o início da história registrada. Nos últimos dez segundos do ano, ocorrem eventos como a construção das pirâmides, o Império Romano, descobertas científicas e revoluções sociais.

Carl Sagan e o “Calendário Cósmico” que resume 13,8 bilhões de anos em um ano

Imagem: Divulgação

No derradeiro segundo, passaram figuras como Galileu, Kepler, Newton e Einstein, além de grandes avanços: da invenção do rádio ao voo humano, das duas guerras mundiais às missões lunares. Carl Sagan concebeu esse arranjo para revelar que somos o resultado de bilhões de anos de processos cósmicos, únicos capazes de refletir sobre o próprio Universo.

A analogia demonstra que um segundo no calendário cósmico equivale a 438 anos da nossa história, destacando a brevidade e a singularidade da presença humana na imensidão do Universo.

Com informações de Olhardigital