A indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve, que deve passar por audiências no Senado, chega acompanhada da expectativa de que o novo chefe tente sair de sua primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) anunciando um corte na taxa básica. A Casa Branca orientou que o sucessor de Jerome Powell seja mais propenso a reduzir juros, e Warsh — ex-governador do Fed — tem perfil alinhado a essa orientação, afirmando otimismo com a economia dos EUA em parte por conta do avanço da inteligência artificial e defendendo um aperto relativo no balanço do Fed para contrabalançar taxas mais baixas.
No entanto, analistas afirmam que fatores externos complicam essa meta. Operações militares promovidas por Donald Trump, em conjunto com Israel, contra o Irã podem levar um Fomc já cauteloso a adotar postura mais rígida, principalmente devido ao risco sobre o fornecimento de energia proveniente da região do Golfo.
O Irã faz fronteira com o Estreito de Ormuz, rota estreita no Golfo Pérsico por onde transitam exportações de Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Iraque. Capitães de navios demonstram receio de atravessar a passagem, e a Casa Branca chegou a indicar que suas forças poderiam escoltar embarcações no local para manter a rota funcional, sem confirmação de ação efetiva até o momento.
Economistas destacam que o impacto indireto nos preços do petróleo e do gás é a principal preocupação para a política monetária. Com a missão do Fed de preservar a inflação em torno de 2% — nível que já foi superado pelo indicador de preços ao consumidor —, reduzir a taxa básica poderia pressionar ainda mais os preços ao estimular consumo e endividamento.
Ao mesmo tempo, a força do mercado de trabalho reduz o argumento a favor de cortes. A provedora de folha de pagamento ADP informou que empregadores privados criaram 66 mil vagas em fevereiro, acima das 50 mil estimadas, indicando que a segunda parte do mandato do Fed, relativa ao emprego, segue se estabilizando sem necessidade de intervenção adicional.
Presidentes de bancos regionais do Fed vêm sinalizando cautela diante dos riscos externos. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, afirmou que os juros podem permanecer nos níveis atuais “por bastante tempo”, citando o Irã como novo risco inflacionário. O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, disse que está menos confiante em sua projeção anterior de corte de 0,25 ponto percentual neste ano, explicando: “Com os eventos geopolíticos, precisamos reunir muito mais dados.”
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Falcões dos bancos centrais globais
Segundo Thierry Wizman, do Macquarie, a guerra envolvendo o Irã tem levado bancos centrais internacionais a adotar tom mais duro; representantes do Banco do Japão, do Banco da Inglaterra, do Banco do Canadá e do Banco Central Europeu também passaram a vigiar sinais de pressão inflacionária. Wizman acrescentou que a possibilidade de o Fed optar por uma “pausa” em vez de cortes ajudou o dólar a se valorizar, além da busca por ativos seguros.
Em linha com a redução das apostas por cortes, Jim Reid, do Deutsche Bank, observou que os dados econômicos recentes fizeram com que investidores diminuíssem as probabilidades de um corte no primeiro semestre: a chance de um corte até a reunião de junho — a primeira que terá um presidente novo — caiu para 39% ao fechamento, o menor nível registrado no ano, indicando ceticismo sobre a possibilidade de cortes imediatos, especialmente diante de números econômicos robustos.
O novo presidente do Fed, caso Kevin Warsh assuma, enfrentará, portanto, o dilema de conciliar a orientação política da Casa Branca com um cenário externo e doméstico que, segundo analistas e autoridades regionais do Fed, torna mais arriscado promover reduções de juros no curto prazo.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6