Marcos Freitas, fundador e CEO da consultoria Seja AP, assegura que o Brasil oferece as melhores condições para empreendedores. Para o executivo, o diferencial nacional não está na ausência de desafios, como a complexidade tributária e a taxa de juros a 15% ao ano, mas sim na inexperiência dos concorrentes, o que deixa espaço para quem atua de forma mais estruturada.

Formado inicialmente como estoquista e depois executivo em uma grande corporação, Freitas ganhou notoriedade ao deixar um cargo que pagava R$ 60 mil mensais para criar, em Fortaleza (CE), a Seja AP, ao lado de Natália Simony. Atualmente, a empresa possui sede em Alphaville (SP) e Goiânia (GO) e comemora dez anos de atuação.

Em uma década, a consultoria já atendeu 20 mil clientes e está envolvida em 300 projetos de empresas que, juntas, faturam R$ 6,5 bilhões. Em 2025, o faturamento da Seja AP alcançou R$ 100 milhões, resultado que, em média, tem dobrado ano a ano.

No entanto, Freitas ressalta que esse desempenho não o deixa satisfeito. “Eu fico triste com isso, não fico feliz. Queria que as empresas estivessem bem, contratando a gente para crescer melhor e com mais dinheiro”, afirmou. Para ele, os empresários só recorrem a consultorias quando enfrentam problemas, numa comparação com quem só procura o dentista sentindo dor.

Desafios e amadurecimento

Segundo o CEO, muitas companhias brasileiras ainda operam em estágio amador, “vendendo o almoço para comprar a janta”, sem controle de fluxo de caixa ou estratégia comercial definida. Freitas avalia que esse cenário decorre do fato de o Brasil estar em sua primeira geração de empreendedores. “Nas décadas de 1970 e 1980, o sonho era concurso público. Hoje, ter uma empresa é algo comum”, explicou, destacando que fatores como eleições, Copa do Mundo e crédito caro vão forçar um processo de seleção natural, deixando apenas os mais profissionais em competição.

Entre os principais erros identificados estão o crescimento desordenado, com aumento de custos na mesma proporção das vendas, e o foco excessivo no produto em detrimento do planejamento estratégico. Para o executivo, empresários frequentemente esperam mudanças instantâneas após treinamentos rápidos, mas o desenvolvimento organizacional é contínuo e requer educação permanente: “Quem tem uma empresa tem um colégio.”

Cultura e valorização dos colaboradores

Freitas destaca ainda a importância de uma cultura organizacional bem definida. Ele defende que cada negócio deve traçar seu próprio perfil e oferecer aos funcionários um ambiente de trabalho de qualidade, com treinamentos e benefícios que vão além do salário. “O primeiro grande cliente de uma empresa é o colaborador”, afirmou, criticando espaços luxuosos para clientes enquanto os funcionários ficam sem estrutura adequada.

Imagem: Ap

Serviços e resultados da Seja AP

A consultoria atua em quatro pilares: contratação de gestores, capacitação de colaboradores, implantação de business intelligence e networking. De acordo com dados internos, as empresas atendidas crescem, em média, 92% acima do mercado.

Um exemplo é a Mippei Tecnologia Industrial, que, após reestruturação de campanhas comerciais, disseminação de cultura e definição de métricas, registrou aumento de mais de 100% no faturamento em três meses, além de promoção de funcionários e caixa previsível. Já a Comercial Marinho, que carecia de organograma, indicadores consolidados e logística eficiente, bateu recordes de receita após a implementação de rotinas de gestão.

Selo EAP

Em outubro do ano passado, a Seja AP lançou o Selo EAP – Empresas de Alta Performance, para certificar organizações que integram gestão, cultura e resultados sustentáveis. A avaliação considera cultura organizacional, desempenho comercial, gente & gestão e saúde financeira. “O Selo EAP é mais do que uma chancela: é um movimento de evolução consciente”, explicou Freitas, que vê a iniciativa como um meio de inspirar e conectar empresas comprometidas com crescimento sólido.

Com informações de Brazileconomy