Um vídeo divulgado nas redes sociais nesta semana mostrou o céu clareando e, em seguida, adquirindo um tom vermelho intenso em áreas da Austrália, cena que moradores descreveram como “de outro mundo” e que muitos compararam a paisagens apocalípticas. As imagens não são efeitos digitais: meteorologistas identificaram o fenômeno como resultado de uma tempestade de poeira alimentada pelos ventos do ciclone Tropical Narelle.

A física do céu vermelho

Segundo reportagem do The New York Times publicada em 29 de março de 2026, a mudança na cor do céu pode ser explicada pela dispersão da luz solar na atmosfera. Em condições normais, os comprimentos de onda mais curtos — que correspondem ao azul — são dispersos com maior eficiência, tornando o céu diurno predominantemente azul. Quando partículas maiores, como poeira, permanecem suspensas, as partículas dispersam os comprimentos de onda curtos e deixam passar preferencialmente tons mais longos, como vermelho e laranja.

Na ocorrência registrada, a poeira levantada pelos ventos do ciclone era rica em óxido de ferro, composto presente nos solos da região e responsável pela coloração avermelhada de partes do território australiano. Quando quantidades significativas dessa poeira ficaram em suspensão, a predominância de partículas ferrosas intensificou a tonalidade carmesim observada por quem estava no local.

Onde, quando e por que aconteceu

Os ventos fortes associados ao Tropical Cyclone Narelle elevaram uma massa de poeira muito acima do habitual em áreas áridas e semiáridas do país, ambientes onde a vegetação não prende o solo. A combinação do ciclone com solos ricos em ferro foi apontada como fator determinante para a extensão e a intensidade da coloração.

Riscos e frequência

Apesar da aparência alarmante, autoridades afirmaram que o fenômeno não oferece perigo direto além dos cuidados rotineiros em tempestades de poeira, como proteger vias respiratórias. A poeira não foi classificada como tóxica. Especialistas locais consideraram o evento excepcional: a transformação completa do céu diurno para um vermelho-sangue de grande intensidade foi descrita por meteorologistas como algo raro, “uma vez na vida” para quem presenciou.

Imagem: Divulgação

Imagens e relatos públicos, incluindo um tuíte do serviço meteorológico AccuWeather datado de 28 de março de 2026, registraram e divulgaram o fenômeno, que se tornou viral e serviu como registro visual do impacto dos ventos do ciclone sobre solos ferruginosos.

Com informações de Olhardigital