A próxima estratégia da China para estimular a demanda interna volta-se a gastos mais pessoais e ligados a estilo de vida, segundo documentos e análises recentes. Em vez de focar apenas em compras de alto valor, como automóveis e eletrodomésticos, as autoridades passaram a incentivar despesas “baseadas em interesses”, citando setores como cuidados com pets, animação e brinquedos da moda.
Essa mudança é parte de um esforço mais amplo para criar novas fontes de consumo, num momento em que exportações e investimentos deixaram de ser impulsionadores tão fortes da economia chinesa. O objetivo é direcionar os gastos domésticos para categorias que gerem recorrência e possam ser ampliadas por marcas, propriedade intelectual e experiências presenciais.
De acordo com o Instituto iiMedia Research, a chamada economia emocional na China alcançou cerca de 2,3 trilhões de yuans (US$ 335 bilhões) em 2025 e tem previsão de superar 4,5 trilhões de yuans até 2029. O levantamento indica que os consumidores vêm atribuindo cada vez mais valor à ressonância emocional, identidade e conforto psicológico associados aos produtos, além de sua função prática.
Para especialistas citados por veículos chineses, a tendência reflete uma mudança no padrão de consumo: clientes mais jovens estariam deixando de lado compras estritamente utilitárias em favor de itens que oferecem satisfação emocional. Esse comportamento já aparece em pesquisas de mercado e em movimentos de empresas do setor.
Na prática, Pequim busca transformar hobbies em setores industriais capazes de gerar receita contínua. A Pop Mart International Group é citada como exemplo de companhia que converte personagens colecionáveis em um modelo de negócio lucrativo. Mas autoridades e analistas destacam que a oportunidade se estende a qualquer firma que consiga monetizar afeto por meio de licenciamento, assinaturas, eventos e renovação constante de produtos.
Um relatório governamental divulgado em novembro incluiu apoio oficial a pets e brinquedos, além do desenvolvimento de produtos associados às mudanças de estilo de vida dos consumidores. Pets são apontados como uma categoria com alto potencial de consumo recorrente, por demandarem gastos contínuos com alimentação, saúde, serviços e acessórios.
Consumidores entrevistados ilustram o fenômeno: uma trabalhadora de tecnologia de 29 anos em Xangai afirmou que prefere cortar refeições fora do que deixar de comprar itens para seu gato, evidenciando como prioridades de gasto podem se deslocar para companhias e afeto.
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Autoridades também veem vantagens estratégicas nesse tipo de consumo: ele depende menos da atividade imobiliária financiada por dívida e é politicamente menos sensível que o consumo de luxo ostensivo. Segundo reportagem da Reuters, o governo quer que o consumo tenha participação maior no PIB nos próximos cinco anos e que sua contribuição ao crescimento cresça de forma contínua até 2030.
Analistas advertem, porém, que o consumo emocional pode ser volátil e sujeito a modismos das redes sociais. Matéria do China Daily mencionou alertas de estudiosos sobre a dificuldade de medir valor emocional de forma consistente, o que pode levar a distorções de preço e compras impulsivas.
Para investidores, o foco recomendado é identificar empresas capazes de construir ecossistemas duradouros em torno do vínculo afetivo dos consumidores, em vez de apostar apenas em itens colecionáveis momentâneos. A discussão sobre o futuro do consumo na China agora inclui a ideia de que, além de eletrodomésticos e carros, categorias ligadas a identidade, conforto e fandom podem ganhar espaço significativo.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6