A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) afirma que o aumento dos gastos com plataformas de apostas eletrônicas entre janeiro de 2023 e março de 2026 agravou o endividamento das famílias brasileiras e resultou na retirada de R$ 143 bilhões em capacidade de consumo do comércio varejista.
Impacto e números
Segundo a CNC, o crescimento dos dispêndios dos brasileiros com as chamadas bets nesse período foi superior a R$ 30 bilhões por mês. A entidade estima que essa realocação de renda para apostas pode ter levado cerca de 270 mil famílias à situação de inadimplência severa, definida por atrasos superiores a 90 dias.
Em apresentação de análise econométrica realizada em Brasília nesta terça-feira (28), o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, afirmou que, em contexto de aperto financeiro, gastos não essenciais — e até alguns essenciais — tendem a ser sacrificados para acomodar despesas com apostas. Como exemplo, Bentes citou a possibilidade de famílias deixarem de trocar de celular ou de adquirir peças de vestuário em função do aumento das dívidas.
A confederação aponta que os efeitos sobre o endividamento variam por perfil demográfico: homens, famílias de baixa renda (até cinco salários mínimos), pessoas com 35 anos ou mais e indivíduos com escolaridade no 2º grau ou mais apresentam maior vulnerabilidade aos prejuízos causados pelas apostas. A CNC também observa que, embora famílias de renda mais alta possam usar as bets como substituto de outras formas de endividamento, esse comportamento também pode resultar em inadimplência.
Pressões por regulação e indicadores
José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, defendeu a adoção de políticas públicas regulatórias para as plataformas e medidas de proteção ao consumidor, afirmando que as apostas online passaram de um efeito pontual para um problema com consequências macroeconômicas. Tadros pediu debate sobre limites à atividade, especialmente no que toca publicidade e proteção das famílias.
De acordo com a CNC, atualmente 80,4% das famílias brasileiras estão endividadas, índice próximo aos 78% registrados no final de 2022. A entidade afirma ainda que entre 2019 e aquele ano a proporção de famílias endividadas cresceu quase 20 pontos percentuais.
Imagem: Ap
Cobranças do setor de apostas
O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que representa plataformas de aposta eletrônica que atuam legalmente no país, enviou notificação formal à CNC ontem (27) solicitando “transparência metodológica” e acesso integral às bases de dados utilizadas no estudo. O IBJR afirmou que edições anteriores do trabalho partiram de premissas desalinhadas com dados oficiais e qualificou as conclusões da CNC como alarmistas e em desacordo com métricas oficiais.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) também contestou os números apresentados pela CNC, alegando que não correspondem aos dados oficiais do governo e do setor e que a confederação desconsiderou a natureza multifatorial do endividamento dos brasileiros.
O tema segue em debate entre a CNC e representantes do mercado de apostas, com pedidos de acesso aos dados e questionamentos sobre a metodologia empregada na análise.
Com informações de Portalin

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6