Um estudo da Universidade de São Paulo (USP) avaliou os efeitos de associar musculação a sessões de corrida intervalada de alta intensidade (HIIT) sobre o ganho de massa e força muscular. Conduzida ao longo de 16 semanas, a pesquisa acompanhou 19 homens jovens, com média de 28 anos e sem histórico recente de treinamento estruturado, em protocolo controlado de exercícios.

Publicados no Journal of Applied Physiology, os resultados mostram que a combinação de treino de força com HIIT não impediu a hipertrofia: ambos os grupos aumentaram massa muscular de forma semelhante, inclusive em fibras de contração rápida. Porém, o grupo que realizou apenas musculação apresentou evolução maior em testes de força máxima do que o grupo que fez o treino combinado.

Os pesquisadores, entre eles o professor Carlos Ugrinowitsch, da Escola de Educação Física e Esporte da USP, apontam que a discrepância entre aumento de massa e desempenho em força máxima está mais associada a adaptações do sistema nervoso do que a diferenças no crescimento muscular. Segundo o trabalho, a fadiga decorrente do componente aeróbico intenso pode reduzir a capacidade do sistema nervoso de recrutar fibras durante esforços máximos.

As análises celulares e moleculares não indicaram prejuízo nos mecanismos de hipertrofia: marcadores como síntese de proteínas musculares, ativação de células satélite e expressão de genes relacionados ao crescimento evoluíram de forma parecida entre os dois protocolos. Além disso, a melhora do condicionamento cardiorrespiratório ocorreu apenas no grupo que incluiu HIIT, conforme esperado, pois esse estímulo não fez parte do protocolo exclusivo de musculação.

O estudo comparou explicitamente dois modelos de treinamento — musculação isolada e musculação combinada com HIIT de corrida — e registrou que, apesar da preservação da hipertrofia no treino combinado, os ganhos de força máxima foram menores nesse grupo ao final das 16 semanas.

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Os autores, vinculados à Faculdade de Medicina da USP e a instituições parceiras, observam que os achados reforçam a possibilidade de integrar objetivos de força e resistência sem comprometer significativamente a hipertrofia, desde que o objetivo principal não seja atingir o desempenho máximo de força. O financiamento veio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O trabalho faz parte de um conjunto de investigações sobre as respostas musculares ao treinamento concorrente e pode orientar escolhas de protocolos de exercício conforme prioridades entre hipertrofia, força máxima e condicionamento cardiorrespiratório.

Com informações de Olhardigital