A médica e psicóloga organizacional Sunita Sah, professora nas universidades Cornell e Cambridge, defende que saber dizer “não” é uma habilidade fundamental. Em seu livro Desafiar: O Poder do Não em um Mundo que Exige Sim, ela reúne cinco ideias centrais para explicar por que recusar pode ser necessário e como esse comportamento se desenvolve.
1. Obediência é aprendida desde cedo
Sah afirma que a associação entre ser “bom” e obedecer é construída na infância. Pais, professores e colegas costumam reforçar comportamentos conformes, recompensando quem segue regras sem questionar. Esse reforço ativa mecanismos cerebrais de recompensa e solidifica o padrão. Ao longo da vida, essa tendência facilita a evitação de confrontos e a aceitação automática de ordens, mesmo quando o questionamento seria adequado. A autora ressalta, porém, que é possível revisar esse padrão ao identificar as pressões que incentivam a submissão.
2. Desconforto físico pode indicar desalinhamento
No início da sua carreira médica no Reino Unido, Sah relata um encontro com um consultor financeiro do hospital que se mostrou atencioso e ofereceu um relatório “gratuito”. Ao descobrir que o assessor receberia comissão pela recomendação, a confiança caiu e surgiu um desconforto interno: o medo de parecer ofensiva ao manifestar desconfiança. Segundo Sah, sensações como aperto no estômago ou estado de alerta não devem ser ignoradas, pois podem sinalizar que algo não está alinhado com os próprios valores.
3. Dizer “não” é um processo, não um impulso
A autora descreve o ato de recusar como uma sequência que normalmente passa por etapas. Reconhecer que o “não” se constrói ao longo do tempo diminui a pressão por respostas imediatas e facilita uma tomada de decisão coerente.
- Perceber o desconforto;
- Reconhecer o motivo;
- Expressar a dúvida de forma cuidadosa;
- Indicar limites;
- Agir e decidir.
Quando a pessoa se posiciona, muitas vezes o desconforto inicial desaparece e surge uma sensação de coerência entre pensamento e atitude.
4. Questionar é uma habilidade que se desenvolve
Sah contesta a ideia de que apenas pessoas confrontadoras desafiam o status quo. Ela recorda um episódio em que sua mãe, normalmente discreta, reagiu com firmeza diante de uma injustiça. A lição é que questionar não depende necessariamente da personalidade, mas da prática. Pequenas ações cotidianas, como corrigir um pedido errado, ajudam a fortalecer a habilidade de se posicionar em situações mais importantes.
Imagem: Divulgação
5. O “não” também é uma escolha ética
A autora chama de “inconformismo moral” a atitude de agir conforme valores pessoais, mesmo sem reconhecimento público. Nem todo questionamento precisa ser ruidoso; muitas vezes ele ocorre em decisões individuais e silenciosas. Sah destaca que, historicamente, dizer “sim” foi visto como mais conveniente, enquanto o “não” ganhou conotações negativas. Contudo, cada escolha — concordar ou recusar — afeta tanto a vida pessoal quanto o ambiente ao redor, e reconhecer o valor do “não” coloca-o no mesmo nível do “sim”.
O livro e os exemplos reunidos por Sunita Sah indicam que recusar pode ser um ato de coerência e ética, cultivado por meio de atenção aos sinais internos e prática cotidiana.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6