A Compass, controlada pelo grupo Cosan e responsável por operações de gás por meio da Comgás e de outras seis distribuidoras, entrou com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO). A operação, conforme estimativas do próprio pedido, pode movimentar entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões e representaria a primeira estreia em bolsa no Brasil desde setembro de 2021.

O pedido de registro prevê a oferta inicial de 89,3 milhões de ações ordinárias, com faixa indicativa de preço entre R$ 28 e R$ 35 por ação. O documento também contempla a possibilidade de colocação de um lote adicional de 43 milhões de ONs e um lote suplementar de 13,4 milhões de ONs, que, somados à oferta base, podem elevar o total a até 145,6 milhões de ações ordinárias.

Considerando um preço médio indicativo de R$ 31,5 por ação, a Compass estima que a operação poderia movimentar entre R$ 2,8 bilhões e R$ 4,6 bilhões. O pedido foi protocolado em 27 de abril.

A oferta será exclusivamente secundária, ou seja, os recursos arrecadados não ingressarão no caixa da Compass, mas serão destinados aos acionistas vendedores. Entre eles figuram a própria Cosan, fundos da Atmos, Brasil Capital, Bradesco Vida e Previdência e o BTG Pactual, por meio do veículo Manaslu.

As ações da Compass deverão ser listadas no segmento Novo Mercado da B3, que exige padrões mais altos de governança corporativa. O free float mínimo previsto é de 25% do capital social, com possibilidade de redução para 15% caso haja maior liquidez. O código de negociação indicado no pedido é PASS3, e o início das negociações está previsto para o segundo dia útil após o anúncio de início da oferta. A precificação final será determinada após o processo de bookbuilding, com data prevista para 7 de maio.

Cisão parcial

Paralelamente ao pedido de IPO, a Cosan informou que realizará uma oferta pública secundária de ações da Compass, nos termos da Resolução CVM 160, podendo alienar cerca de 15% do capital social da Compass considerando a oferta base e eventuais lotes adicional e suplementar, com o volume definitivo a ser definido no bookbuilding.

Como parte da reestruturação para viabilizar a operação, a Cosan concluiu a cisão parcial e desproporcional da Cosan Dez Participações, transferindo ativos para a Compass. Em contrapartida, a Compass emitiu 142,8 milhões de novas ações ordinárias em favor da Cosan, equivalentes a aproximadamente 20% do capital social, participação que até então era detida de forma indireta. Após a operação, a Cosan passou a deter diretamente essa fatia, sem alterar seu capital social ou patrimônio líquido.

Compass, da Cosan, protocola registro de IPO na CVM e pode ser o primeiro IPO desde 2021

Imagem: Divulgação

Plano de reestruturação

O lançamento do IPO integra um movimento mais amplo de reestruturação financeira do grupo Cosan, com o objetivo de reforçar posições e contribuir no equacionamento do endividamento da Raízen, principal foco da holding. A Compass, apontada como um dos ativos mais sólidos do grupo, registrou dívida líquida de R$ 9,9 bilhões e uma alavancagem de 1,9 vez o Ebitda, com mais de 80% de seus financiamentos em prazos longos e prazo médio superior a cinco anos.

O principal ativo da Compass é a Comgás, maior distribuidora de gás natural do país, com cerca de 3 milhões de clientes e uma malha de aproximadamente 28 mil quilômetros no estado de São Paulo. A Compass também controla a joint venture Commit, com a Mitsui, que reúne participações em distribuidoras como Sulgás, Compagas e Necta. No segmento de comercialização e infraestrutura, a Edge opera ativos como o terminal de regaseificação em Santos e desenvolve projetos de biometano e atuação no mercado livre de gás.





No mercado há estimativas de que a Cosan, que detém cerca de 88% da Compass Gás e Energia, poderia levantar até R$ 5 bilhões caso a operação seja precificada pelo teto da faixa indicativa. A Compass já havia tentado abrir capital em 2021, mas suspendeu a oferta na ocasião devido a condições de mercado consideradas desfavoráveis.

A companhia informou que continuará atualizando o mercado sobre os desdobramentos e ressaltou que o comunicado tem caráter informativo, não constituindo oferta de venda ou solicitação de compra de valores mobiliários no Brasil ou no exterior, incluindo os Estados Unidos, onde eventual distribuição dependerá de registro ou isenção conforme a legislação aplicável.

Com informações de Investnews