O avanço da inteligência artificial e a consequente expansão de data centers elevaram a demanda por componentes eletrônicos e pressionaram os preços de peças para computadores e notebooks. Segundo especialistas, fabricantes passaram a priorizar o segmento de data centers, o que deixou o mercado doméstico mais caro e com estoques em queda.

Yuri Daglian, gerente de aplicações da Intel Brasil, recomenda que consumidores façam pesquisa aprofundada antes de comprar, evitando aquisições por impulso. Planejar a compra conforme a necessidade de uso é, na visão dele, a principal forma de reduzir gastos em meio à alta de preços.

Processador

Apesar do aumento em GPUs, memórias e SSDs, os processadores mantêm preços relativamente acessíveis, mas não reduzem o custo total quando outras peças estão caras. Para o público que busca máquinas robustas, Daglian indica opções como Intel Core i5-14600K, Intel Core Ultra 7 265, Ryzen 5 9600X e Ryzen 7 9700, com valores na faixa de R$ 1.100 a R$ 1.800. Para orçamentos mais restritos, são citados o Intel Core i5-12400F, o Ryzen 5 5500 ou 5600, e o Intel i5-13100F, com o Ryzen 5500 aparecendo entre R$ 500 e R$ 600 em alguns casos.

Placa-mãe

A escolha da placa-mãe exige atenção à compatibilidade com o processador e à quantidade de conectores: portas USB, slots M.2 para SSD, canais de memória e recursos como Wi-Fi. Em muitos montagens, dois slots de memória são suficientes, mas é preciso avaliar as necessidades de expansão e conectividade antes da compra.

Memória RAM

A RAM foi um dos componentes que mais subiu de preço. Para tarefas básicas, 8 GB ainda permitem rodar o Windows e aplicações leves; o próprio Windows 11 recomenda 4 GB como requisito mínimo. No entanto, com atualizações contínuas de navegadores e ferramentas com recursos de IA, 8 GB já pode causar lentidão em alguns cenários. Para jogos, o ideal é começar com 16 GB. Kits de 32 GB mais novos têm preços acima de R$ 3.000, sendo hoje mais indicados para profissionais com demanda elevada.

Armazenamento

SSDs M.2 NVMe são o padrão mais usado, mas também sofreram com a alta. Um SSD de 256 GB é o mínimo aceitável para sistema operacional e apps básicos; 512 GB é recomendado para quem armazena filmes, jogos ou arquivos maiores. Embora 1 TB seja a opção ideal, o preço desses modelos quase triplicou nos últimos seis meses. Daglian aponta que um equilíbrio interessante é um SSD de 512 GB combinado com 16 GB de RAM.

Imagem: Divulgação

Placa de vídeo

A placa de vídeo tende a ser o componente mais caro de um PC gamer ou de trabalho gráfico, com preços muito voláteis. Sites que exibem histórico de preços ajudam a identificar promoções. Para jogadores, a Intel Arc B580 (12 GB de VRAM) aparece como indicação da Intel; a RTX 5050 é citada como boa opção abaixo de R$ 2.000 para jogos simples e renderização leve. Modelos como RTX 5060 e Radeon RX 9060 XT surgem em promoções próximas de R$ 2.300, enquanto GPUs de alto desempenho, como RTX 5070 e Radeon RX 9070 XT, têm preços próximos a R$ 5.000.

Gabinete, cooler e fonte

Gabinete, sistemas de refrigeração e fontes de alimentação dependem do conjunto de componentes escolhido. Esses itens ainda não sofreram aumentos expressivos, mas podem ficar mais caros por fatores econômicos e mudanças de mercado. Um levantamento também indica que computadores de entrada muito baratos tendem a desaparecer até 2028.

Planejar a montagem conforme o uso final, acompanhar históricos de preço e priorizar peças com boa relação custo-benefício são as recomendações principais para quem pretende montar um PC em meio à crise de chips.

Com informações de Tecmundo