Notificações acumuladas e o formato de vídeos curtos das redes sociais fragmentam a atenção diária e estimulam comportamentos impulsivos e compulsivos, dizem especialistas consultados pelo Olhar Digital. O mecanismo envolve liberação de dopamina, alteração de circuitos de recompensa e mudanças na tomada de decisão que tornam difícil retomar tarefas anteriores.
TRANSMISSÃO: assistindo uma TED Talk (YouTube)
O que acontece e quem explica
Para o neurologista Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e colunista do Olhar Digital, a interação com redes sociais combina dois padrões comportamentais: a impulsividade, que leva a checar o celular sem pensar, e a compulsão, que mantém o usuário rolando o feed por longos períodos. Segundo ele, um aspecto inicia a ação e o outro sustenta sua continuidade.
O doutor Gustavo Gattino, especialista em saúde de crianças e adolescentes, detalha o papel da dopamina: notificações e estímulos imprevisíveis ativam o sistema de recompensa porque o cérebro antecipa uma recompensa, gerando sensação de prazer semelhante ao gatilho usado por máquinas caça-níqueis. Pesquisa citada pela Revista Arco, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), aponta que a arquitetura das plataformas condiciona esse comportamento.
Como vídeos curtos atuam no cérebro
Vídeos curtos, como Reels e TikToks, exploram outra área cerebral importante: o córtex cingulado anterior. Gattino afirma que essa região avalia o esforço de continuar procurando por novo conteúdo frente à expectativa de recompensa. Esse processo faz com que a atenção permaneça concentrada na tela, em detrimento do ambiente ao redor — por isso é mais fácil passar 47 minutos consumindo conteúdo curto do que manter 47 minutos assistindo a uma palestra mais longa, como uma TED Talk no YouTube.
Efeitos em diferentes idades
Embora adultos também sejam afetados, Gattino lembra que crianças e adolescentes são mais vulneráveis porque estão em fase de formação intensa de sinapses e de maior plasticidade neural. A exposição contínua a estímulos rápidos pode moldar preferências e habilidades de atenção, prejudicando hábitos como leitura prolongada, atividades presenciais e interações face a face.
Imagem: Divulgação
Recomendações para reduzir o impacto
O especialista propõe medidas práticas para um “desmame digital”: limitar o tempo de tela, evitar o uso de aparelhos ao acordar e antes de dormir e inserir atividades analógicas que provoquem recompensas orgânicas, como caminhar, estar em contato com a natureza, tocar ou ouvir música e interagir sem telas. Essas ações, segundo Gattino, ajudam a ativar o núcleo accumbens e outros circuitos associados a sensações de prazer mais duradouras do que as proporcionadas pelas redes sociais.
O neurologista Álvaro Machado Dias também cita o filósofo Byung-Chul Han e sua obra Sociedade do Cansaço para argumentar que o vício digital opera de forma ambiental, por meio de uma arquitetura de experiência que acaba por afetar o funcionamento neuronal de maneira intensa.
A recomendação geral dos especialistas é buscar equilíbrio entre as experiências digitais e analógicas, retomando práticas cotidianas que favoreçam atenção sustentada e relações presenciais, sem negar que as telas fazem parte da vida atual.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6