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Um novo comprimido desenvolvido pela Eli Lilly mostrou-se superior à semaglutida oral no controle da glicemia e na redução de peso em um ensaio clínico de fase 3, segundo resultados publicados recentemente. O fármaco, chamado orforglipron, foi testado em 1.698 adultos com diabetes tipo 2 em seis países ao longo de 52 semanas.

Resultados do estudo

Os participantes começaram o estudo com média de HbA1c de 8,3%. Após um ano, a queda média no indicador foi entre 1,71% e 1,91% para os que receberam orforglipron, contra redução de 1,47% no grupo tratado com semaglutida oral. Em relação ao peso, os pacientes que tomaram orforglipron perderam entre 6,1 kg e 8,2 kg, enquanto a perda média no braço da semaglutida foi de 5,3 kg.

Como o medicamento funciona e vantagens práticas

O orforglipron pertence à classe das pequenas moléculas, compostos sintéticos que podem ser absorvidos pela parede intestinal sem reproduzir a estrutura do hormônio GLP-1. Por isso, o comprimido dispensa refrigeração e não exige injeções, o que reduz barreiras para pacientes com fobia de agulhas e facilita distribuição em regiões com infraestrutura de frio limitada. Além disso, a produção tende a ser mais simples, o que pode impactar o custo.

Em contraste, as versões injetáveis de semaglutida revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos, mas mantém a necessidade de aplicações por agulha e de conservação em temperatura controlada. A semaglutida oral evita as injeções, mas precisa ser tomada em jejum e requer espera de 30 minutos antes da primeira refeição; sua biodisponibilidade é baixa, em torno de 1% do fármaco ingerido.

Efeitos adversos e tolerabilidade

O estudo também registrou maior incidência de eventos gastrointestinais com o novo comprimido. Náuseas, vômitos, diarreia e constipação foram relatados por cerca de 59% dos usuários de orforglipron, frente a 37% a 45% no grupo da semaglutida. A descontinuação por efeitos adversos ocorreu em 10% dos pacientes que receberam orforglipron, comparado a 4% a 5% no grupo controle. Pesquisadores relacionam a maior ocorrência de sintomas a picos mais acentuados da concentração plasmática diária do orforglipron.

Comprimido da Eli Lilly supera semaglutida oral em teste de fase 3 e pode facilitar tratamento da obesidade

Imagem: Divulgação

Próximos passos

O estudo não fez comparação direta do comprimido com a semaglutida injetável, mas os autores apontam que a perda de peso observada entre pessoas com diabetes tipo 2 é semelhante à vista em pesquisas anteriores com injetáveis. O orforglipron segue em testes para pacientes com obesidade sem diabetes; se confirmar eficácia e segurança nesse grupo, pode se tornar um competidor relevante no mercado de tratamentos orais para emagrecimento, dependendo da tolerabilidade a longo prazo.

Com informações de Olhardigital