Uma amostra rara de cor azul, identificada como aerinita, voltou a integrar a exposição do Natural History Museum (NHM) em Londres após cerca de três décadas fora de exibição. O mineral chamou atenção por apresentar mudanças aparentes de tonalidade conforme a iluminação e o ângulo de observação, característica que dificultou sua identificação definitiva por muitos anos.

Como a pedra chegou ao museu

A amostra foi adquirida em 1980 pela geóloga Anna Grayson em um leilão no Marrocos, onde o vendedor a descreveu como lápis-lazúli. Suspeitando da identificação, Anna entregou a peça ao NHM em 1995 para exames mais detalhados. A equipe do então especialista em mineralogia Gordon Cressey submeteu o material a análises por raio-X de síncrotron — técnica que gera feixes intensos de raios X por meio de elétrons acelerados quase à velocidade da luz — e, após mais de um ano de investigação, confirmou que se tratava de aerinita.

Histórico e características

Aerinita foi descrita pela primeira vez em 1876. Trata-se de um silicato raro cujo aspecto azul intenso é resultado da interação da luz com átomos de ferro presentes em sua estrutura. Essa interação provoca variações de tonalidade conforme a iluminação e o ponto de vista, fenômeno que levou décadas até que sua estrutura fosse completamente compreendida — o problema foi resolvido em 2004, quando sua composição e arranjo atômico foram esclarecidos.

Em comunicado divulgado pelo NHM em 18 de março de 2026, o museu comemorou a volta do mineral à Galeria de Minerais. Paul Schofield, pesquisador principal envolvido no estudo da amostra, ressaltou que a pesquisa sobre aerinita contribuiu para avanços em técnicas analíticas e auxiliou na classificação de outros minerais, tanto na coleção do museu quanto em espécimes recém-descobertos.

Imagem: Shutterstock

Após aproximadamente 30 anos desde sua primeira análise no museu, aerinita está novamente em exibição na galeria de minerais do Natural History Museum e pode ser vista pelo público.

Com informações de Olhardigital