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O conflito no Oriente Médio tem encarecido viagens nos últimos meses ao provocar aumento no preço do petróleo, forçar rotas mais longas e elevar custos operacionais das companhias aéreas, segundo especialistas consultados. O conjunto de fatores — que inclui também inflação global e demanda aquecida — vem sendo repassado ao consumidor final por meio de tarifas mais altas.

Petróleo e combustível: gatilho do aumento

Especialistas apontam que a principal via de transmissão da crise para o setor de turismo é o petróleo. A região concentra parcela significativa da produção mundial, e a instabilidade amplia o receio de falta de oferta, pressionando os preços da commodity.

“O impacto acontece no preço do combustível e nas rotas. O Oriente Médio é uma das regiões que mais produz petróleo no mundo. Quando há conflitos por lá, o mercado fica com medo de faltar petróleo e, como tudo que é escasso, o preço sobe. Se fica mais caro para a empresa encher o tanque, ela repassa essa conta para nós, passageiros, no preço da passagem”, afirma Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos.

Rafael Minotto, analista da Ciano Investimentos, lembra que o combustível já representa parcela relevante dos custos das companhias aéreas e pode aumentar ainda mais. Ele cita a preocupação com o petróleo acima de 100 dólares, situação em que o combustível, que normalmente corresponde a 25% a 30% do custo de uma companhia, pode ultrapassar os 45%.

Rotas mais longas e oferta limitada

Restrições de segurança e o fechamento de corredores aéreos obrigam aeronaves a desviar trajetos, o que aumenta o tempo de voo, o consumo de combustível, as horas de trabalho da tripulação e o desgaste das aeronaves. “Por questões de segurança, os aviões não podem sobrevoar zonas de conflito. Isso obriga as companhias a fazerem desvios, mais tempo no ar significa mais combustível gasto, mais horas de trabalho da tripulação e mais desgaste do avião. Novamente, essa conta extra vai parar no valor da passagem”, diz Patzlaff.

Minotto acrescenta que trajetos mais longos reduzem a eficiência e a capacidade de transporte: quanto mais combustível carregado, menos espaço para carga e mercadorias.

Impactos nos preços e na inflação

Com custos operacionais mais altos e oferta pressionada, o preço das passagens subiu de maneira relevante. “Estima-se que o custo da passagem de transporte tenha aumentado até 30%”, afirma Minotto. A combinação de combustível caro, rotas ampliadas, inflação global e demanda firme limita alívios no curto prazo.

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Além do turismo, o encarecimento do transporte aéreo afeta a logística global, especialmente para mercadorias de alto valor ou com necessidade de rapidez. Minotto aponta risco de aumento da inflação a curto prazo e possíveis gargalos na cadeia logística.

Como reduzir o impacto no bolso

Para amenizar o custo das viagens, especialistas recomendam planejamento: usar programas de fidelidade estrategicamente, antecipar compras e flexibilizar datas e destinos. “Se você usa cartão de crédito, você tem uma moeda paralela nas mãos, as milhas e pontos. Não deixe os pontos expirarem ou que sejam trocados por coisas que não valem a pena, como por exemplo uma torradeira. Acumule estrategicamente e use essas milhas para abater justamente a parte mais cara da viagem, que é a passagem aérea”, orienta Patzlaff.

Antecipar a compra e avaliar rotas alternativas ou modais terrestres para distâncias menores também podem reduzir despesas. “Compre passagens com antecedência, comprar em cima da hora hoje é muito mais arriscado para o bolso do que era há alguns anos”, diz o planejador. Flexibilidade de datas pode resultar em economia significativa.

O cenário, segundo os especialistas, deve permanecer desafiador enquanto persistirem a alta do petróleo e as restrições de sobrevoo provocadas pelo conflito.

Com informações de Borainvestir.b3