Lucro das aéreas cai pela metade em 2026 após explosão do preço do querosene
Impacto imediato nos custos força aumento de tarifas, atrasa renovação da frota e reacende vulnerabilidade do setor
O setor aéreo global entrou em 2026 com sinal de alerta ligado: o lucro somado das companhias deve fechar o ano em cerca de US$ 23 bilhões — quase a metade dos US$ 45 bilhões registrados em 2025 — enquanto a margem líquida encolhe para perto de 2%, nível não visto desde a tempestade provocada pela covid-19.
O gatilho: um gargalo geopolítico que apertou o preço do combustível
Em fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz e os confrontos entre potências no Oriente Médio reduziram a oferta de petróleo em torno de 10 milhões de barris por dia. O efeito foi direto: o querosene para aviação disparou. Em abril, a diferença entre o petróleo bruto e o combustível de aviação atingiu patamar recorde e em mercados-chave o preço do querosene superou a marca de US$ 230 por barril.
Conta pesada no balanço das companhias
O combustível volta a ocupar cerca de um terço dos custos operacionais do setor. Em 2026, a fatia deve ficar em 31,4% — um gasto que, somado, levará a conta de combustível do setor para aproximadamente US$ 350 bilhões no ano.
Passagens mais caras, mas receita não acompanha
Os passageiros já internalizaram a alta: mais de oito em cada dez esperam que as tarifas subam em linha com o petróleo, e metade diz que gastará mais em viagens este ano. Mesmo assim, a receita total projetada do setor cresce menos que as despesas: cerca de 9,4% contra um avanço de 13% nos custos, comprimindo lucros e forçando ajustes tarifários.
Frota envelhecida e atraso na entrega de aviões
A retomada após a pandemia ainda esbarra em um problema de oferta. A carteira global de pedidos ultrapassou 18 mil aeronaves — quase 60% da frota ativa — e a idade média das aeronaves chegou a 15,2 anos. A escassez de motores e peças mantém aviões no solo, mesmo quando as aeronaves são entregues.
Fabricantes sob pressão, aéreas sem produto
Operadoras reclamam que fornecedores faturam bem, mas não acompanham a velocidade das entregas. O custo desses entraves já foi estimado em pelo menos US$ 11 bilhões só em 2025. Agora, com o querosene bem mais caro, o rombo tende a crescer.
Imagem: Divulgação
Região afetada, impacto global
As companhias do Golfo sentiram o baque com cancelamentos e restrições de espaço aéreo: o tráfego na região caiu quase 60% ao longo de março e abril, e a perda anual deverá superar os US$ 4 bilhões. Ainda assim, executivos do setor avaliam que a fatia do Oriente Médio na capacidade mundial — algo em torno de 9% a 15% dependendo do critério — é grande demais para ser substituída rapidamente por outras regiões.
Comparação com a pandemia e o cenário à frente
Entre 2020 e 2022, a indústria registrou perdas históricas de US$ 181 bilhões e um colapso temporário do tráfego. Hoje, o crescimento de passageiros é modesto — cerca de 2,1% projetado para o ano —, mas o desafio mudou: não é a fuga dos viajantes, e sim custos que corroem resultados e atrasam a modernização das frotas.
Fecho
O setor volta a testar resiliência. Com combustíveis mais caros, cadeia de suprimentos tensionada e capacidade regional reduzida, as companhias têm pouco espaço para manobra. A conta chega rápido ao caixa, ao preço do bilhete e à pressa por peças que levam meses para chegar — e enquanto isso, as aéreas repactuam planos e redesenham rotas em um mercado que voltou a provar ser imprevisível.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6