O conselheiro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Diogo Thomson, votou a favor da abertura de investigação contra o Google na última quarta-feira (8). O procedimento apura supostas práticas anticoncorrenciais e passou a incorporar a análise do uso de inteligência artificial pela empresa.

Iniciado em 2019, o processo verifica se a apresentação de notícias diretamente nos resultados de busca teria diminuído o tráfego de sites jornalísticos e prejudicado a repartição de receitas com publicidade digital. A ação foi proposta por representantes de veículos de imprensa que alegam prejuízo ao modelo de negócios das redações.

Indícios de abuso e impacto da IA

No voto, Thomson afirmou que a conduta do Google evoluiu desde a abertura do processo e não se restringe mais à coleta de trechos e imagens para exibição nas páginas de resultado. Segundo ele, a adoção de recursos de inteligência artificial tornou o mecanismo ainda mais eficiente em sintetizar conteúdos.

O conselheiro citou estudos que apontam efeitos negativos dessas ferramentas sobre os sites de notícias, indicando que as capacidades de sumarização estariam modificando de forma relevante as dinâmicas de acesso, visibilidade e monetização das páginas.

Thomson também mencionou relatório de autoridade sul-africana que concluiu haver posição monopolista do Google e assimetria de poder negocial entre a empresa e os meios de comunicação, o que impediria uma partilha justa do valor. Ainda conforme o conselheiro, o modelo vigente geraria dependência entre editores e a big tech, uma vez que parcela expressiva do tráfego desses veículos provém de mecanismos de busca.

Em razão desses indícios, Thomson votou pela investigação do comportamento do Google em mercados digitais, solicitando que a apuração considere práticas de dependência estrutural, extração de valor e imposição de condições comerciais, entre outros aspectos.

Imagem: Divulgação

Posicionamento do Google e andamento do julgamento

Durante audiência realizada em 2025, o Google defendeu que a exibição de trechos e resumos de notícias em suas plataformas é benéfica para os veículos e afirmou que os próprios sites dispõem de ferramentas para escolher as informações que aparecem nos resultados de busca.

O conselheiro Gustavo Augusto manifestou concordância parcial com Thomson: apoiou a investigação sobre o uso de IA em notícias, mas se posicionou contra a abertura de apuração específica sobre raspagem de conteúdo jornalístico, após ter defendido anteriormente o arquivamento do caso.





A conselheira Camila Cabral pediu vista do processo, adiando o julgamento para permitir análise mais aprofundada do tema, pela sua relevância. O caso segue em tramitação no Cade.

Com informações de Tecmundo