O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, em decisão unânime, elevando o ciclo de cortes para a quarta reunião consecutiva. A taxa básica da economia brasileira passa a ser de 14% ao ano. O movimento já era amplamente esperado pelo mercado, que cotizava cerca de 95% de probabilidade de corte nessa magnitude na véspera.
Em comparação com o comunicado de junho, quando o colegiado havia identificado aceleração tanto da inflação cheia quanto dos núcleos, o texto desta decisão traz mudança de tom: o Copom avalia agora haver desaceleração desses indicadores. Ao mesmo tempo, destaca que os sinais sobre a atividade doméstica apontam para uma moderação gradual, embora o nível de atividade siga resiliente em setores variados e o mercado de trabalho continue aquecido.
O comunicado, porém, não indica o ritmo das próximas decisões. Conforme trecho do documento: “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”.
Raphael Vieira, head de Investimentos da Arton Advisors, avaliou que o Banco Central evitou comprometer-se com uma sequência pré-definida de cortes, reforçando que os desdobramentos dependerão da evolução dos dados. Para ele, o ciclo de queda da Selic segue em curso, mas sem promessa de aceleração. Vieira acrescentou que o impacto da decisão tende a ser limitado, já que o corte estava em grande parte precificado, e que a atenção passa a ser a evolução da atividade econômica, as expectativas de inflação e o cenário fiscal para definir espaço a novos cortes nas próximas reuniões.
Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, apontou três fatores que justificam prudência: a inflação em 12 meses permanece no teto da meta contínua — com centro em 3% e teto em 4,5% — já que o IPCA cheio fechou junho em 4,64% e expectativas continuam desancoradas; o quadro fiscal se deteriorou, com dívida bruta do governo geral em 81,9% do PIB em junho; e o câmbio, que encerrou a terça-feira a R$ 5,13, segue sensível.
Imagem: Adobe Stock
Na mesma linha, Camilo Cavalcanti, gestor de portfólio da Oby Capital, afirmou que a melhora de curto prazo no cenário doméstico não se traduziu em uma comunicação mais permissiva sobre os passos seguintes. Ele observou que o Copom mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de cortes na próxima reunião, mas ressaltou argumentos favoráveis a uma pausa, citando riscos fiscais associados à proximidade das eleições e riscos cambiais ligados à volatilidade externa em commodities, tarifas e potenciais altas de juros pelo FED.
Matéria em atualização.
Com informações de Borainvestir.b3

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6