O modelo de corporate venture capital (CVC) vem se consolidando no Brasil, mas enfrenta um período de retração após o auge registrado em 2021 e 2022. Segundo a Associação Brasileira de Corporate Venture Capital (ABCVC), a retomada do ritmo de investimentos dependerá de melhor alinhamento entre corporações, fundos e startups sobre objetivos e expectativas.
Para Leonardo Monte, presidente da ABCVC, é essencial que todas as partes envolvidas entendam a finalidade dos programas de CVC. Na visão dele, essas iniciativas surgem principalmente para solucionar desafios internos das empresas e acelerar processos de inovação, e não para gerar retorno financeiro imediato.
Monte ressalta que o CVC no país ainda é recente e que há pressão por resultados de curto prazo, quando a estratégia exige horizonte mais longo, paciência e mudanças internas nas companhias. Ele observa também uma confusão recorrente sobre o papel das corporações na governança das startups, diferenciando o investimento minoritário do processo de aquisição.
De acordo com Monte, o caminho mais apropriado costuma ser a construção de participações minoritárias ao longo do tempo, com acompanhamento do desenvolvimento da startup, e só considerar uma eventual compra caso exista coerência estratégica no futuro, mantendo, assim, a dinâmica distinta de operações de M&A.
Para a professora de Finanças da FIA/USP, Liliam Carrete, a manutenção de uma participação minoritária por parte das corporações é fundamental para preservar a autonomia das startups para inovar e acelerar, permitindo que a empresa investidora capture valor estratégico sem dominar as decisões do negócio investido.
Monte aponta que falhas em programas corporativos no Brasil costumam derivar menos da ausência de retorno financeiro e mais da falta de governança e clareza estratégica. Segundo ele, não basta adotar rótulos como open innovation ou aceleração; é preciso definir explícita e operacionalmente quais problemas a corporação pretende resolver e como a startup se integrará à operação.
“Startup chega com a corda no pescoço”
No lado das startups, Liliam destaca a necessidade de maior preparo empreendedor. Um problema frequente é o curto prazo de sobrevivência sem capital — muitas empresas têm apenas dois meses de caixa para captar recursos. Por isso, segundo a professora, as startups precisam avaliar com mais sofisticação quando faz sentido aceitar investimento de CVC, de venture capital tradicional, ou um coinvestimento entre ambos.
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Ela ressalta que um aporte corporativo pode oferecer vantagens práticas, como acesso direto a clientes, validação de produto em ambiente real, testes operacionais e suporte estratégico, benefícios especialmente relevantes para empresas B2B.
Para estruturar programas mais sólidos, Monte recomenda que empresas façam parcerias com gestoras especializadas ou formem times internos capacitados, reconhecendo a complexidade da gestão de investimentos de risco.
Nesse contexto, a ABCVC e a FIA/USP estão desenvolvendo uma parceria para formar executivos e fomentar pesquisas sobre CVC no Brasil. O programa executivo previsto visa simular a experiência de estruturar e operar um braço de corporate venture capital — desde a definição da tese de investimento até a criação de valor e eventual saída — além de produzir estudos e relatórios com maior neutralidade e profundidade, com o objetivo de gerar dados confiáveis para o mercado.
Com informações de Infomoney

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6