Dois engenheiros responsáveis pelo núcleo do agente de inteligência artificial OpenClaw afirmam que a prática conhecida como “vibe coding” está gerando uma onda de software de baixa qualidade e pode levar a um colapso futuro. Mario Zechner e Armin Ronacher falaram sobre o assunto em entrevista ao Wall Street Journal, destacando o que chamam de “vibe slop”, termo que mistura “vibe coding” e “AI slop”.
O que é vibe slop
Segundo os autores do Pi, o mecanismo de IA que opera dentro do OpenClaw, “vibe coding” descreve o ato de programar por meio de interações com grandes modelos de linguagem (LLMs). “AI slop” refere-se ao conteúdo de baixa qualidade produzido por essas ferramentas. A combinação das duas práticas, segundo Zechner e Ronacher, surge quando desenvolvedores substituem o trabalho cuidadoso de projetar e testar sistemas por pedidos diretos à IA, resultando em código que não se mantém ao longo do tempo.
Os engenheiros alertaram que essa abordagem tende a degradar a infraestrutura e a tornar o software mais instável. Zechner afirmou que a situação pode ser sustentada apenas por um período limitado — alguns meses ou anos — antes que os problemas se agravem e se tornem insustentáveis.
A dupla reconhece que a IA é útil para tarefas repetitivas dentro de projetos, mas ressalta que ela não substitui totalmente a mão de obra humana qualificada. Eles afirmam que a redução de programadores juniores para cortar custos e priorizar ganhos imediatos está acumulando uma dívida técnica que se traduz em mais bugs, interrupções e falhas de segurança ao longo do tempo.
O debate sobre essa dependência da IA ocorre enquanto empresas como OpenAI e Anthropic se preparam para oferta pública inicial (IPO). Rohan Varma, líder da equipe Codex na OpenAI, admitiu que o código gerado por IA raramente sai perfeito na primeira tentativa e que, embora existam ferramentas automatizadas de testes, a responsabilidade final por sistemas críticos que atendem milhões de usuários continua com engenheiros humanos.
Empresas relatam uso intenso da tecnologia: Sundar Pichai, CEO do Google, disse que 75% do novo código da companhia já é gerado por IA, e Mark Zuckerberg afirmou em 2025 que a tecnologia escreveria e revisaria a maior parte dos códigos internos até o fim de 2026. Zechner alertou que esses números podem dar uma visão enganosa das capacidades atuais das ferramentas, que funcionam bem para códigos simples, mas apresentam limitações ao lidar com a complexidade de sistemas legados.
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Como exemplo, Zechner criticou o Claude Code, da Anthropic, citando problemas de interface e consumo excessivo de memória. A Anthropic afirmou que corrigiu os erros visuais e atribuiu as falhas ao rápido crescimento do uso, mas concordou que o controle final deve caber ao usuário humano. O cientista da computação Timothy B. Lee acrescentou que modelos de IA não carregam o conhecimento prático acumulado ao longo de anos pelos programadores dentro das empresas, o que pode levar a desvios e falhas sem detecção oportuna.
O aviso dos criadores do OpenClaw destaca, portanto, os riscos de confiar excessivamente em assistentes de programação baseados em IA sem manter supervisão e expertise humanas.
Com informações de Olhardigital

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6