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A guerra no Golfo Pérsico, agora em sua terceira semana, desencadeou um choque energético que já altera cadeias produtivas e hábitos de consumo na Ásia e começa a repercutir globalmente. A restrição logística e a elevação dos preços de combustíveis forçam desde indústrias até famílias a reduzir consumo e preparar planos de racionamento.
O impacto é visível em Coimbatore, no sul da Índia. No dia 15 de março, data considerada auspiciosa no calendário hindu, cerimônias e salões de casamento foram afetados quando a rede Sree Annapoorna, que administra 15 espaços, comunicou clientes sobre a escassez de gás e a necessidade de reduzir os cardápios.
Medidas de racionamento e pressão sobre oferta
O bloqueio no Estreito de Ormuz compromete o fluxo de gás liquefeito de petróleo (GLP), usado amplamente em cozinhas e processos industriais. A Índia, que importa 90% de seu petróleo do Oriente Médio, enfrenta cenário crítico, já que suprimentos alternativos dos Estados Unidos levariam ao menos 40 dias para chegar e teriam custos muito maiores.
Em vários países, surgem respostas imediatas: contrabando aumentou em nações como Malásia e Bangladesh, este último avalia impor racionamento. A Tailândia calcula um gasto diário de US$ 32 milhões para segurar o preço do diesel e orientou a população a não estocar combustível. A Indonésia, maior economia do Sudeste Asiático, intensifica subsídios aos combustíveis e vê pressão fiscal crescer justamente antes do Eid al-Fitr, quando mais de 100 milhões de pessoas devem se deslocar.
“A principal resposta da Indonésia ao aumento do petróleo tem sido subsidiar combustíveis”, disse Trinh Nguyen, economista-chefe da Natixis. “Isso protege consumidores, mas também sustenta artificialmente a demanda”.
Os efeitos já alcançam o mercado global de petróleo e a economia internacional. Cerca de 80% dos restaurantes indianos dependem de GLP e trabalham com estoques reduzidos. Agricultores na Tailândia relatam falta de diesel e restrições no abastecimento.
Imagem: Reautes
A Agência Internacional de Energia afirma que o conflito está “criando a maior interrupção de oferta da história do mercado global de petróleo”, mesmo após a liberação de 400 milhões de barris de reservas de emergência — volume considerado insuficiente para manter o Brent abaixo de US$ 100.
Na Europa, a escassez de combustível de aviação elevou o preço do querosene a mais de US$ 1.640 por tonelada métrica, pressionando tarifas aéreas. A Oxford Economics alerta que um choque de preços que dure dois meses pode desacelerar o crescimento global, sem necessariamente provocar recessão.
Até economias produtoras sentem o impacto: nos Estados Unidos, a gasolina subiu mais de 70 centavos por galão desde o início do conflito, tornando-se questão política para o governo Trump às vésperas das eleições legislativas.
As consequências continuam a se manifestar em diferentes setores e regiões, enquanto governos e empresas avaliam medidas para mitigar a escassez e o aumento de custos.
Com informações de Portalin

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6