A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos avançou para uma nova etapa nessa quarta-feira (15), quando Washington confirmou a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre uma lista de produtos brasileiros. O governo norte-americano informou que poderá revisar essa decisão caso o Brasil adote retaliações.

O comunicado foi feito por Jamieson Greer, representante do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). Greer afirmou que os Estados Unidos permanecem dispostos a dialogar, mas ressaltou que uma resposta comercial por parte de Brasília poderia levar à reavaliação das medidas adotadas. “Não é do interesse de ninguém que ocorram retaliações”, declarou o representante.

A medida foi formalizada com base na Seção 301 da Lei de Comércio, instrumento que autoriza o USTR a aplicar sanções quando identifica práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano. Na determinação publicada pelo órgão, a investigação apontou críticas a diversos pontos da política brasileira, entre eles comércio digital, o sistema de pagamentos eletrônicos (incluindo o Pix), acesso ao mercado de etanol, proteção da propriedade intelectual, regimes tarifários preferenciais e ações de combate ao desmatamento ilegal.

Do lado brasileiro, o governo estuda acionar a Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente aprovada pelo Congresso Nacional, como possível resposta à decisão norte-americana. Fontes ouvidas pela CNN Brasil informaram que a Câmara de Comércio Exterior (Camex) pode ser convocada para avaliar a abertura de um processo que permita a adoção de contramedidas, embora autoridades governamentais indiquem preferência por buscar solução por vias diplomáticas.

Apesar do endurecimento do posicionamento público, representantes de Brasil e Estados Unidos mantiveram canais de diálogo abertos durante reuniões técnicas recentes. O governo brasileiro contesta tecnicamente os argumentos apresentados pelo USTR e defende que disputas desse tipo deveriam ser tratadas na Organização Mundial do Comércio (OMC), em vez de por medidas unilaterais.

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Para exportadores e investidores, a atenção agora está na implementação prática das tarifas e nos efeitos que elas poderão ter nas cadeias bilaterais. Uma escalada da disputa tende a aumentar a incerteza para empresas que atuam no comércio entre os dois países, enquanto a continuidade das negociações pode resultar em ajustes ou na inclusão de novas exceções à lista de produtos afetados.

Com informações de Portalin