TRANSMISSÃO: Record

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) tem R$ 9,4 bilhões em dívidas com vencimento ao longo de 2026, incluindo um bond de aproximadamente R$ 1 bilhão que vence no fim de abril, pressionando sua liquidez em um cenário de maior aversão do mercado a empresas fortemente alavancadas.

O grupo controlado por Benjamin Steinbruch finalizou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o Ebitda, revertendo três trimestres consecutivos de queda no indicador e superando a meta interna de encerrar o ano com alavancagem próxima a 3 vezes ou menos.

Entre as medidas em curso, a empresa negocia um empréstimo-ponte de até US$ 1,5 bilhão com garantias sobre ativos da CSN Cimentos. O CFO Marco Rabello afirmou em teleconferência com analistas que a operação está “extremamente madura” e que a assinatura seria “questão de dias”.

Fontes indicam que bancos como Morgan Stanley, Citi, Deutsche Bank, BNP Paribas e HSBC participam das tratativas, e que as taxas discutidas estariam na faixa de 14% a 15% ao ano em dólar.

Os vencimentos de 2026 não estão concentrados em um único título: o calendário inclui bonds, linhas bancárias, adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC), pré-pagamentos de exportação de minério e financiamentos de longo prazo com BNDES e Finep.

Problema em 2028

A maior pressão por amortizações deve ocorrer em 2028, quando a CSN tem R$ 11,7 bilhões a vencer, parcela majoritariamente em dólar, identificada pela companhia como a principal “torre” de pagamentos futuros.

O aumento da dívida líquida no quarto trimestre de 2025 foi atribuído internamente a fatores pontuais: a não renovação de contratos de pré-pagamento de exportação de minério de ferro — operações que normalmente somam entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões por rodada e que não foram fechadas no primeiro trimestre —, a desvalorização cambial sobre a dívida externa (parcialmente revertida com a valorização do real no início de 2026) e uma reavaliação contábil de estoques considerados de segunda linha.

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Os estoques chamaram atenção: o CEO Benjamin Steinbruch informou que o grupo mantém cerca de R$ 12 bilhões em estoques e que parte desse volume pode ser monetizada ao longo do ano, liberando caixa sem necessidade imediata de venda de ativos ou nova dívida.

O plano estrutural de desalavancagem anunciado em janeiro prevê captar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões por meio de três movimentos: venda do controle da CSN Cimentos, alienação de participação minoritária na plataforma de infraestrutura e logística e busca por um sócio estratégico para a siderurgia. O Morgan Stanley lidera a venda da divisão de cimento, enquanto Citi e Bradesco conduzem o mandato da infraestrutura; a meta é assinar os dois primeiros acordos até o terceiro trimestre de 2026, com potenciais compradores mapeados na Ásia, Europa e Brasil.

Operacionalmente, a CSN reportou avanços em 2025: Ebitda ajustado subiu 15%, para R$ 11,8 bilhões, impulsionado por volumes recordes na mineração — acima de 45 milhões de toneladas vendidas pela primeira vez — e redução do custo de produção de aço ao menor nível desde 2021. Para 2026, a companhia projeta aumento de preços entre 4,5% e 6% já no primeiro trimestre e prevê margens de dois dígitos a partir do segundo trimestre, após medidas antidumping contra importações chinesas.

R$ 6,5 bilhões em juros

Apesar da melhora operacional, a CSN registrou prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão em 2025, com perda de R$ 721 milhões no quarto trimestre. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 6,5 bilhões no ano, pressionado por juros elevados e variação cambial sobre a dívida externa; apenas encargos financeiros pagos em 2025 somaram cerca de R$ 3 bilhões.

Ao encerrar a teleconferência, Benjamin Steinbruch reafirmou o compromisso com a desalavancagem e afirmou que a companhia avalia outras alternativas financeiras além do empréstimo-ponte e das vendas de ativos já anunciadas.

Com informações de Investnews