Um levantamento da organização SaferNet Brasil identificou 173 vítimas de deepfakes sexuais em instituições de ensino públicas e privadas de dez estados do país. Os casos envolvem imagens e vídeos de nudez gerados por inteligência artificial, produzidos sem o consentimento das alunas e professoras afetadas.

Segundo o estudo, São Paulo lidera o ranking de ocorrências, respondendo por 51 das vítimas registradas. Na sequência aparecem Mato Grosso e Pernambuco, ambos com 30 casos, e o Rio de Janeiro, com 20. Todas as pessoas identificadas são do sexo feminino, entre estudantes e profissionais da rede de ensino.

O mapeamento, iniciado em 2023, utiliza como base o monitoramento de notícias sobre abusos digitais. Paralelamente, a SaferNet opera a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que recebeu 264 links relacionados a deepfakes sexuais desde o início da pesquisa. “Analisamos 264 URLs reportadas que podiam ter vínculo com o compartilhamento de deepfakes sexuais não consentidos e de materiais artificiais de abuso sexual infantil. Desses, 125 continham imagens reais de abuso sexual infantil”, afirmou a pesquisadora Sofia Schuring.

No conjunto de URLs analisadas, 8% continham conteúdo artificial de exploração e abuso sexual infantojuvenil. Além disso, foram apontados dez casos de deepfakes envolvendo adultos e 20 incidentes de vazamento de imagens íntimas reais, sem o uso de inteligência artificial.

A SaferNet Brasil destaca que esses conteúdos costumam ser distribuídos por grupos organizados, que se valem de bots para notificação, aplicativos de mensagem e fóruns na dark web. Como medida de combate, a entidade defende o bloqueio dessas ferramentas de notificação e o cerceamento financeiro das redes responsáveis pela disseminação.

Imagem: Divulgação

Outros dados da SaferNet

  • Denúncias de crimes cibernéticos: 87.689 novas queixas em 2025, alta de 28,4% em relação a 2024.
  • Imagens de abuso e exploração sexual infantil: 63.214 notificações, a segunda maior marca da SaferNet, atrás apenas de 2023 (71.867).
  • Misoginia: 8.728 casos, crescimento de 224,9%.
  • Apologia e incitação a crimes contra a vida: 4.752 denúncias.
  • Racismo: 3.220 casos.
  • Xenofobia: recuo de 3.449 para 755 ocorrências.
  • Tráfico de pessoas: 442 casos, patamar estável.
  • Intolerância religiosa, LGBTfobia, neonazismo e maus-tratos a animais também registraram aumento.

O relatório completo sobre deepfakes sexuais será publicado no próximo mês, com apoio do fundo SafeOnline, do Unicef.

Com informações de Olhardigital