O Google assinou um contrato com o Pentágono para disponibilizar modelos de inteligência artificial (IA) em operações confidenciais, apesar de um protesto de mais de 600 funcionários, segundo reportagem do The Information divulgada nesta terça-feira (28). Em carta dirigida ao CEO Sundar Pichai, trabalhadores — muitos oriundos da DeepMind — alertaram que o caráter sigiloso do uso da tecnologia limita mecanismos de supervisão e pode facilitar o desenvolvimento de armas autônomas e sistemas de vigilância em massa.

O acordo permite que o, segundo o texto, “agora renomeado Departamento de Guerra” utilize a IA da Alphabet para “qualquer propósito governamental legal”. Entre as aplicações previstas estão desde o planejamento de missões até a identificação de alvos militares.

Acordo de US$ 200 milhões exige que Google altere filtros de segurança para militares

O contrato, que envolve os principais laboratórios de IA do mercado, prevê pagamentos de até US$ 200 milhões (aproximadamente R$ 996 milhões) para cada empresa participante. Diferentemente das ferramentas comerciais padrão, o Google terá de ajustar filtros de segurança e configurações de proteção dos modelos para atender às exigências do governo dos EUA.

A empresa defende que fornecer acesso via API para fins de segurança nacional é uma ação responsável, desde que a infraestrutura respeite padrões da indústria. Apesar de o contrato mencionar que a IA não deve ser empregada para vigilância doméstica nem para armas letais sem supervisão humana, o documento inclui uma cláusula de submissão.

Segundo a reportagem, o Google não terá poder de veto sobre decisões operacionais das autoridades, o que limita a autonomia da empresa para impedir usos que possa considerar imorais, contanto que os militares os classifiquem como “dentro da lei”. Esse posicionamento contrasta com a postura adotada em 2018, quando o Google abandonou o Projeto Maven após protestos internos e se comprometeu a não desenvolver tecnologias para armamentos — restrição formalmente removida em 2025.

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A integração do modelo Gemini a sistemas de defesa em dezembro de 2025 já havia indicado que contratos militares voltaram a ser prioridade para a Alphabet. Enquanto isso, a Anthropic foi descartada pelo Departamento de Defesa norte-americano e rotulada como um “risco para a cadeia de suprimentos” depois de recusar a desativação de salvaguardas do modelo Claude para uso em vigilância.

Com a nova contratação, o Google se alinha a empresas como OpenAI e xAI na oferta de infraestrutura de IA a órgãos militares, em um movimento que, segundo a matéria, tende a tornar a submissão a termos militares confidenciais um padrão entre grandes empresas do setor.

Com informações de Olhardigital