A equipe de defesa de Elon Musk enviou ao tribunal federal de São Francisco, na quinta-feira, 26 de março de 2026, um pedido formal para que o juiz Charles Breyer reavalie o veredicto que considerou o empresário culpado de fraudar investidores do Twitter (atual X). A transmissão do veredicto foi feita pela Band.

Na carta protocolada, o advogado Alex Spiro alega que ocorreram erros processuais durante o julgamento e afirma que os jurados teriam agido com parcialidade. O principal objeto da contestação é a maneira como foi preenchido o formulário de veredicto: Spiro aponta que o valor US$ 4,20 foi escrito em tinta azul brilhante, enquanto todo o restante do documento aparece em tinta preta.

Segundo a defesa, a diferença de cor configura uma manifestação intencional dos jurados, uma “piada numérica” dirigida a Musk, já que o número 420 tem associação com a cultura da maconha e é recorrente nas ações e publicações do bilionário. Spiro sustenta que o destaque desse valor no formulário indica que os jurados estariam “zombando” do réu e, por isso, questiona a imparcialidade do veredicto proferido em 20 de março.

O veredicto que está sendo impugnado pode levar a uma condenação com indenização de até US$ 2,5 bilhões (R$ 13 bilhões). A defesa pede que o juiz Breyer abra uma “investigação mais aprofundada” sobre o preenchimento do documento e os procedimentos do júri.

Histórico do uso do número 420 por Musk

O documento de contestação cita o histórico de Musk com o número 420. Entre os exemplos listados estão:

Imagem: Divulgação

  • Referências frequentes ao número em entrevistas e no X, e sua presença em negociações comerciais;
  • Na aquisição do Twitter por US$ 44 bilhões (R$ 230,4 bilhões), a oferta por ação foi de US$ 54,20;
  • Na Tesla, decisões de preço envolvendo o número: em 2020, o preço do Model S foi reduzido 4% para US$ 69.420;
  • Em 2018, um tuíte de Musk mencionou “financiamento garantido” para tornar a Tesla privada a US$ 420 por ação, ação que resultou em processo da SEC e posterior acordo.

Os advogados que representam os investidores lesados, Frank Bottini e Mark Molumphy, responderam conjuntamente à carta de Spiro, classificando a contestação como sem base legal. Eles afirmaram que é “lamentável” que Musk critique o tribunal e o júri e defenderam que os jurados atuaram de forma “extremamente diligente”, considerando as evidências apresentadas no julgamento “esmagadoras”.

Os representantes dos investidores também rejeitaram as alegações de parcialidade, dizendo que atacar o júri é um exagero diante do trabalho que teriam realizado.

Com informações de Olhardigital