Pesquisadores da Universidade de Leeds (Reino Unido) demonstraram que o degelo do permafrost aumenta a permeabilidade do solo entre 25 e 100 vezes, criando condições para a liberação mais rápida de gases do efeito estufa. O achado foi divulgado em estudo publicado na edição de março da revista Earth’s Future.

O permafrost é um tipo de solo que permanece congelado por pelo menos dois anos consecutivos e é composto por terra, pedras e areia ligadas por água congelada. Essa camada retém aproximadamente 1.700 bilhões de toneladas de carbono, volume equivalente a cerca de três vezes o carbono atualmente presente na atmosfera.

Como o Ártico aquece em ritmo estimado de quatro vezes o restante do planeta, a liberação desse carbono em forma de dióxido de carbono e metano pode criar um ciclo de retroalimentação: o aquecimento acelera o degelo, que libera mais gases, potencialmente intensificando o aquecimento global.

O líder da equipe, professor Paul Glover, alertou que a soltura de grandes quantidades de carbono acumulado em solos antes congelados, predominantemente na região ártica, constitui um risco real ao clima.

Permeabilidade aumenta bruscamente em faixa próxima ao degelo

Experimentos realizados no Laboratório de Petrofísica de Leeds mostraram que a maior elevação na permeabilidade não ocorre de forma linear, mas concentra-se entre -5ºC e -1ºC. Nesse intervalo, o solo congelado passa por amolecimento e reorganização interna, abrindo canais porosos antes preenchidos pelo gelo e facilitando o fluxo de gases.

Para medir esses efeitos, a equipe empregou um picno-permeômetro e técnicas originalmente desenvolvidas pela indústria de combustíveis fósseis para analisar o movimento de fluidos em rochas reservatórias. Com esses métodos adaptados, foram avaliadas a fração e a condutividade dos gases em amostras de permafrost sintético submetidas a variações térmicas controladas entre -18ºC e 5ºC.

Degelo do permafrost pode acelerar emissões e afetar saúde em regiões árticas, diz estudo

Imagem: Divulgação

Além das implicações climáticas, o aumento da porosidade do solo eleva o risco de liberação de radônio, um gás radioativo de origem natural associado ao câncer. O estudo alerta que a maior facilidade de escape desse gás pode representar um perigo ambiental direto para comunidades que vivem em áreas árticas e subárticas.

Projeções indicam que a Região de Permafrost Circumpolar Ártica (ACPR) poderá perder cerca de 42% de sua extensão até 2050 devido ao aquecimento global. Historicamente atuando como uma “tampa” para o carbono acumulado, o permafrost pode, segundo as novas estimativas, transformar o Ártico em uma fonte de emissões mais intensa e rápida, com impactos potencialmente irreversíveis.

Com informações de Olhardigital