Índia reduz apetite pelo óleo de palma: importações sobem a 551 mil t em maio, mas refinarias migram para soja

Compra maior que em abril, porém abaixo da média anual; combinação de preços e crise de gás está redesenhando a demanda

Em maio, a Índia importou cerca de 551 mil toneladas de óleo de palma — mais que em abril, mas ainda aquém da média dos últimos meses. Ao mesmo tempo, as compras de óleo de soja dispararam, chegando perto das 500 mil toneladas, enquanto o óleo de girassol recuou. O resultado foi um aumento modesto no total de óleos comestíveis: perto de 1,3 milhão de toneladas no mês. Para produtores como Indonésia e Malásia, menos demanda do maior mercado pode traduzir-se em estoques maiores e pressão sobre os preços internacionais.

Por que mudou o mix de compras e o que vem pela frente

Refinarias indianas têm preferido o óleo de soja depois que a vantagem de preço da palma encolheu para algo em torno de US$40 por tonelada, tornando a soja mais atraente para processamento. Negociantes e importadores destacam ainda outro fator: a grave escassez de gás de cozinha, que aumentou preços e reduziu o consumo em restaurantes e estabelecimentos que usam fritura pesada — afetando a demanda por óleo de palma usado em salgados populares. Especialistas do setor alertam que, a menos que o óleo de palma volte a ser negociado com desconto mais expressivo, a tendência de troca por soja pode persistir. Os dados mensais excluem remessas isentas de impostos via terrestre do Nepal, e a associação local de refinadores deve publicar os números oficiais de maio em meados de junho. Enquanto isso, mercados globais e traders monitoram se a reposição de estoques nos países produtores empurrará cotações ainda para baixo ou se uma nova virada da demanda reequilibrará o mercado.

Imagem: Reuters