Combustível alto força Latam a redesenhar malha aérea — e novas rotas podem demorar
CEO da companhia diz que preços do querosene devem permanecer elevados em 2026; cortes já começaram e futuro passa por jatos regionais e mudanças de hub
O alerta veio direto da assembleia da indústria: a Latam opera um cenário em que o custo do querosene não volta a cair no curto prazo. Na prática, isso significa menos voos na malha planejada e decisões que podem redesenhar rotas por toda a América do Sul.
Em junho, a companhia já reduziu sua oferta — cerca de 3% do programa previsto — numa resposta imediata ao impacto do combustível nas contas. A direção da Latam classifica o momento como de ajuste de capacidade, caso os preços se mantenham em patamar elevado até 2027.
Ao mesmo tempo, a empresa destaca um ponto de força: um balanço financeiro mais sólido que ajuda a amortecer choques. Outra alavanca é a demanda premium, que cresce mais rápido que a oferta e gera receitas menos sensíveis à alta do querosene.
Cortes, nova frota e o vazio deixado por Lima
Se o aumento do combustível apertar margens por mais tempo, a saída será operacional: menos frequências em rotas menos rentáveis e foco em mercados domésticos onde a recuperação ainda tem espaço para crescer.
O Brasil aparece como a principal oportunidade. Embora o tráfego aéreo por habitante siga abaixo de mercados desenvolvidos, o país foi um dos que mais cresceu entre os grandes mercados domésticos no último ano — sinal de demanda latente que a Latam tenta capturar.
Para ampliar presença em cidades menores e reforçar frequências, a companhia aposta na chegada de 50 jatos regionais Embraer E2 até o fim do ano. A estratégia é clara: usar aeronaves menores para ajustar oferta sem abrir mão de conectividade, com anúncios de novos voos previstos até julho.
Imagem: Latam vê caminho para abrir mais rotas regionais com jatos da Embraer
Há, porém, um entrave geográfico que pode alterar planos de longo alcance. Lima, que funciona como hub chave entre América do Sul e Caribe, impôs uma taxa de conexão que encareceu ligações e reduziu tráfego — o movimento entre Santiago e Lima caiu quase 10% recentemente.
Diante disso, a Latam já avalia alternativas para basear operações do A321XLR de longo alcance: Fortaleza e Brasília surgem como candidatas. Para o Nordeste, isso abre a possibilidade inédita de voos diretos à Europa, transformando mercados regionais em portas de saída internacional.
O desenho final da malha dependerá da evolução do preço do querosene e de decisões locais sobre aeroportos e taxas. Enquanto isso, a Latam tenta equilibrar corte de oferta, preservação de receita premium e expansão seletiva com novos jatos — uma combinação que promete determinar quais aeroportos e rotas sobreviverão ao aperto nos próximos meses.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6