Remédio experimental corta em até 59% proteína associada ao principal gene do Parkinson
Ensaio em humanos com 82 participantes mostra efeito biológico forte do BIIB094 e abre caminho para fase 2
Um novo medicamento experimental conseguiu reduzir drasticamente uma proteína ligada à maior causa genética da doença de Parkinson em um estudo pioneiro com humanos. Em alguns pacientes, a queda chegou a 59% no líquido cefalorraquidiano.
O resultado, divulgado em artigo na revista Nature Medicine, vem de um teste inicial que avaliou segurança e impacto biológico do composto chamado BIIB094. A droga foi desenvolvida pela Biogen em parceria com a Ionis Pharmaceuticals e emprega tecnologia de silenciamento gênico para impedir a produção da proteína danosa.
Como foi o estudo
Batizado de REASON, o ensaio de fase 1 envolveu 82 adultos atendidos em centros na América do Norte, Europa e Israel. O grupo foi dividido em dois braços: um recebeu dose única do composto, variando entre 10 e 150 mg; o outro recebeu quatro aplicações, em dosagens entre 40 e 120 mg, com intervalos de quatro semanas.
O medicamento foi administrado diretamente no líquido que banha o cérebro e a medula — via punção lombar — porque a substância não atravessa com facilidade a barreira sangue‑cérebro.
Resultados biológicos que chamam atenção
Além da redução de até 59% na proteína produzida pelo gene LRRK2, os pesquisadores observaram queda de até 50% em Rab10 fosforilada, um marcador que reflete a atividade real dessa via dentro das células.
Surpreendentemente, a resposta biológica foi equivalente entre portadores da variante genética no LRRK2 e participantes sem a mutação. Os exames também apontaram diminuição de proteínas ligadas aos lisossomos — estruturas responsáveis por “reciclar” resíduos celulares — o que sugere que o tratamento atinge processos centrais da doença, e não apenas seus sinais.
Imagem: Divulgação
Segurança e efeitos colaterais
Eventos adversos foram relatados por parte dos voluntários: cerca de 64,5% na primeira etapa e 84,8% na segunda. A maior parte dos sintomas foi leve a moderada, com dores de cabeça e nas costas atribuídas ao procedimento de administração intratecal e não à toxicidade do fármaco em si.
Crucialmente, não houve relatos de eventos graves relacionados diretamente à substância. Isso contrasta com tentativas anteriores — baseadas em pequenas moléculas — que encontraram limitações por efeitos tóxicos nos pulmões e rins.
Próximos passos e o que muda para pacientes
Os autores do estudo planejam agora um ensaio de fase 2 com um número maior de pacientes, focado em verificar se as mudanças biológicas observadas realmente se traduzem em desaceleração clínica do Parkinson. Essa próxima etapa deve empregar avaliações motoras padronizadas e escalas de progressão da doença.
Especialistas apontam que os dados representam um passo importante para terapias de oligonucleotídeos antisense no Parkinson e abrem caminho para abordagens mais direcionadas. Ainda assim, os pesquisadores enfatizam que os tratamentos rotineiros disponíveis hoje seguem válidos e que resultados biológicos promissores precisam ser confirmados por evidência clínica.

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6