Um levantamento do Conselho de Supervisão da Meta, divulgado em 16 de julho de 2026, indica que grandes modelos de linguagem tendem a negar com maior frequência solicitações de conteúdo crítico quando o alvo são governos identificados como próximos de leis que limitam a liberdade de expressão.

Quem, o que e quando

O estudo, publicado pelo Conselho de Supervisão da Meta nesta quinta-feira (16), analisou comportamentos de dez modelos de linguagem desenvolvidos por empresas como Meta, OpenAI, Google e DeepSeek. A investigação avaliou se esses sistemas respondem de forma distinta a pedidos que envolvem países considerados mais permissivos em relação à liberdade de expressão e a países onde existem leis que punem manifestações críticas ao governo.

Como foi feita a avaliação

Pesquisadores classificaram dez jurisdições em dois grupos com base nas avaliações anuais da organização Freedom House. Em seguida, submeteram aos modelos solicitações de conteúdo politicamente crítico direcionadas a cada um dos países do conjunto de teste.

Resultados

Os resultados mostraram diferenças claras: as plataformas recusaram 34% das solicitações relacionadas a países considerados mais restritivos quanto à liberdade de expressão, enquanto a taxa de recusa caiu para 14% em relação às jurisdições enquadradas como mais permissivas ou onde a legislação não é aplicada de forma efetiva.

O Conselho de Supervisão também registrou casos em que os modelos justificaram a recusa alegando cumprimento de regras explícitas que, conforme verificação dos pesquisadores, aparentemente não existiam ou não eram aplicadas de maneira uniforme pelos regimes citados.

Recomendações

Além de apresentar dados e exemplos, o órgão recomendou que empresas que desenvolvem e mantêm modelos de inteligência artificial implementem análises sistemáticas sobre impactos em direitos humanos. O relatório pede ainda maior transparência sobre os processos usados no treinamento e na avaliação dos modelos.

Imagem: Divulgação

A apresentação do levantamento ocorre poucos dias depois de declarações do diretor executivo do Google DeepMind, Demis Hassabis, que defendeu a criação de um órgão regulador liderado pelos Estados Unidos para avaliar modelos avançados de inteligência artificial antes de sua implementação.

O estudo levanta questões sobre a possível influência de normas locais nas respostas das IAs e os efeitos dessa dinâmica para usuários em diferentes jurisdições.

Com informações de Olhardigital