Liderança vai além de decisões e resultados: envolve disposição para encarar verdades incômodas sobre o negócio, a equipe e a própria conduta. Em texto publicado na Fast Company Brasil, a autora Lisa Bodell propõe dez perguntas que, segundo ela, todo gestor deveria responder com franqueza para melhorar sua atuação e o desempenho do time.
O artigo ressalta que a reflexão deliberada é pouco favorecida pelo ritmo acelerado de trabalho. Peter Winick, fundador e CEO da Thought Leadership Leverage, é citado ao indicar que líderes bem-sucedidos incorporam momentos de reflexão à rotina — seja em deslocamentos, exercícios, caminhadas ou em períodos reservados sem dispositivos eletrônicos.
O levantamento de Tasha Eurich, também mencionado, mostra que 95% das pessoas acreditam ter autoconsciência, mas apenas entre 10% e 15% a possuem efetivamente. A partir desse dado, Bodell apresenta as dez perguntas para autocrítica e desenvolvimento.
RESPONSABILIDADE E PADRÕES DE DESEMPENHO
1. Onde estou oferecendo justificativas para falhas em vez de cobrar responsabilidade?
A autora alerta que proteger quem tem baixo desempenho prejudica a cultura organizacional. Líderes que deixam de aplicar consequências contribuem para queda de engajamento e produtividade. A recomendação é estabelecer expectativas claras e aplicar resultados coerentes para elevar os padrões.
2. O que tolero em minha vida profissional que jamais aceitaria de alguém que respeito?
Bodell sugere que gestores alinhem as exigências que fazem à equipe com as que fazem a si mesmos, eliminando desculpas para ineficiência ou procrastinação e adotando o mesmo padrão de excelência que exigem dos outros.
AUTOAVALIAÇÃO E CRENÇAS DE LIDERANÇA
3. Se minha empresa falisse amanhã, que verdades duras sobre minha liderança seriam reveladas?
O texto convida a uma autoavaliação preventiva para identificar hábitos e pontos cegos antes que um revés exponha fragilidades, permitindo um plano de desenvolvimento mais eficaz e resiliência em crises.
4. Onde estou dando mais do que recebo e por que permito esse desequilíbrio?
Bodell observa que generosidade não deveria levar ao esgotamento. Líderes devem exigir reciprocidade e redistribuir responsabilidades quando alguém não contribui na mesma medida.
5. Qual crença sobre liderança mantenho mesmo que ela me atrase?
Exemplos citados incluem a ideia de que o líder precisa ter todas as respostas ou que lealdade sempre vale mais que desempenho. A orientação é questionar dogmas que não funcionam e testar abordagens diferentes.
DECISÕES DIFÍCEIS E EXPECTATIVAS
6. Com que frequência reduzo minhas expectativas para evitar conflitos ou decepções?
Imagem: Deagreez via Getty Images
Evitar confrontos e aceitar o “bom o suficiente” diminui a performance do time; a proposta é manter padrões elevados mesmo quando isso gera desconforto.
7. Que decisão difícil estou protelando para não enfrentar suas consequências?
Conversa difícil, demissão ou mudança de direção são exemplos de decisões adiadas que, se tomadas a tempo, podem reduzir impactos negativos e recuperar o controle.
VISÃO DA EQUIPE E PONTOS CEGOS
8. Se eu fosse um funcionário da minha empresa, o que me frustaria?
A recomendação é analisar a organização sob a perspectiva do colaborador para identificar falhas em comunicação, reconhecimento e condições de trabalho que afetam retenção e desempenho.
9. Onde a lealdade me impede de enxergar baixo desempenho?
Bodell alerta que manter pessoas ou práticas obsoletas por afeto ou histórico drena recursos e moral; a prioridade deve ser o resultado, não o passado.
10. Qual meu pior hábito que ninguém me aponta?
A autora recomenda pedir feedback honesto a colegas ou mentores para identificar pontos cegos — por exemplo, interromper, prometer demais ou evitar conversas difíceis — e trabalhar para corrigir esses comportamentos.
Responder a essas perguntas pode ser desconfortável, mas, segundo o texto, é um passo necessário para o aprimoramento da liderança e para elevar o desempenho da organização como um todo.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6