O filme “Dia D” (“Disclosure Day”), dirigido por Steven Spielberg e lançado em 11 de junho de 2026, situa-se no centro de debates recentes sobre avistamentos aéreos não identificados. Com orçamento de US$ 115 milhões, o longa segue Daniel (Josh O’Connor), especialista em cibersegurança de uma ONG, e Margaret (Emily Blunt), apresentadora do telejornal de Kansas City, em uma tentativa de tornar públicos documentos sobre vida extraterrestre.
A estreia ocorre em paralelo à maior divulgação de arquivos classificados sobre fenômenos aéreos não identificados (UAPs) promovida pelo Pentágono em 2026, quando foram liberadas três remessas de documentos que relatam aparições de objetos em locais diversos, incluindo relatos de eventos na Lua durante uma missão da NASA. Nacionalmente, o lançamento também se dá pouco depois do caso do influenciador Mayk Leão, cujo vídeo de suposto avistamento em um sítio no Paraná viralizou nas redes sociais.
O enredo e as referências a arquivos secretos
No enredo, os protagonistas expõem vídeos e relatórios que sugerem a presença de naves, corpos alienígenas e até episódios de tortura das criaturas, além de cenas que remetem a episódios históricos da ufologia, como Roswell (1947) e Kecksburg (1965). O filme também inclui uma sequência em que o ex-presidente Richard Nixon aparece mostrando supostos corpos alienígenas — cena não respaldada por evidências conhecidas, embora relatos anedóticos, como o de uma ex-esposa de Jackie Gleason, digam que o comediante teria sido convidado por Nixon a visitar a Base Aérea de Homestead em 1973 com essa finalidade.
O que a ciência diz
Especialistas ouvidos na cobertura que analisou o longa destacam que os documentos divulgados pelo governo norte-americano tratam majoritariamente de avistamentos de objetos não identificados, e não de comprovação de vida extraterrestre. O Prof. Dr. Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório de Astronomia da UNESP, ressalta que ainda não há evidência científica de organismos extraterrestres — nem mesmo microbianos — e que a busca científica foca em bioassinaturas, ou seja, sinais de condições semelhantes às da Terra, como água e carbono.
Langhi aponta também que muitos relatos podem ser explicados por fenômenos astronômicos, atmosféricos ou por artefatos como balões estratosféricos, que refletem muita luz e são confundidos com discos. Ele lembra casos históricos em que fenômenos naturais foram inicialmente interpretados como sinais alienígenas, citando a descoberta de pulsares como exemplo.
Formas de contato e tecnologia retratadas
Na narrativa de Spielberg, os protagonistas teriam sido contatados ainda na infância e desenvolvem formas distintas de comunicação com os extraterrestres: Margaret por meio de línguas e conexão mental com outras pessoas; Daniel, pela via dos códigos matemáticos. Essas ideias dialogam com investigações da ufologia sobre supostas abduções e memórias de infância, conforme explica Marco Antonio Petit, presidente da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), que menciona o padrão conhecido como “Grey” para a aparência das criaturas exibidas no filme.
Imagem: Divulgação
O longa também apresenta tecnologia alienígena capaz de interferir na mente humana. Petit afirma que a ufologia supõe civilizações com tecnologia muito superior à humana, capaz, por dedução, de produzir esse tipo de efeito. Do ponto de vista científico, Langhi observa que não existem, até o momento, dispositivos capazes de invadir a mente como mostrado na tela; pesquisas sobre ondas cerebrais e sinais eletromagnéticos avançam, mas limitam-se a enviar e receber estímulos elétricos e químicos entre neurônios.
Langhi acrescenta que, mesmo admitindo a existência de inteligência fora da Terra, as distâncias envolvidas e a limitação da velocidade da luz tornam plausíveis enormes barreiras para um contato interestelar prático, citando dimensões e estimativas da Via Láctea como referência.
Em resumo, “Dia D” mistura elementos documentais e referências a casos reais divulgados recentemente com construções ficcionais — desde personagens com contatos infantis até tecnologias de comunicação mental — e a produção provoca debates cobrindo tanto relatos da ufologia quanto posicionamentos da ciência atual.
Com informações de Forbes

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6