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Investir em ações focando em dividendos pode superar aplicações de renda fixa ao longo do tempo quando se alia distribuição de proventos à valorização dos papéis, aponta o quarto episódio da série “Estratégias para Viver de Renda”, do InvestNews, já disponível no YouTube.
No Brasil, onde a renda fixa costuma atrair investidores, uma comparação imediata pode parecer desfavorável: a projeção é de que ações do Ibovespa paguem 5% em dividendos nos próximos 12 meses, enquanto a taxa Selic está em 14,75% ao ano, e há CDBs com retorno quase três vezes maior. O episódio, apresentado pelo editor-executivo Alexandre Versignassi e com patrocínio exclusivo do Nubank, discute como montar uma carteira de renda passiva com ações pagadoras de dividendos.
Exemplo prático: Cemig
O programa usa o caso da distribuidora Cemig para ilustrar a combinação entre dividendos e valorização. Quem comprou CMIG4 em janeiro de 2016, a R$ 2,80 por ação, recebeu cerca de R$ 7,15 por ação em dividendos nos dez anos seguintes, até março de 2026. Em valores práticos, um aporte de R$ 10 mil teria gerado aproximadamente R$ 25 mil somente em dividendos nesse período — o correspondente a 13% ao ano, ou cerca de R$ 1.300 por ano.
Para efeito de comparação, a taxa média do CDI entre 2016 e 2026 foi de 9,4% ao ano, o que faz com que apenas os dividendos da Cemig equivalam a 140% do CDI no período. Além disso, a ação teve valorização expressiva: alta de 317% em dez anos. Somando ganho de capital e proventos, os R$ 10 mil iniciais teriam se transformado em R$ 66 mil, equivalente a IPCA+14% ao ano ou 220% do CDI.
Riscos e contraste com outros casos
Nem todas as empresas acompanham esse desempenho. A Oi, que já foi grande pagadora de dividendos, é exemplo contrário: um investimento de R$ 10 mil em 2016 manteve-se em R$ 10 mil sem distribuição de proventos. A diretora de investimentos do Nubank, Patrícia Whitaker, lembra que ações não garantem valorização e que dividendos dependem do lucro da empresa, mas ressaltam o potencial de ganho acima do que a renda fixa oferece.
Especialistas destacam que empresas podem optar por reinvestir lucros em vez de distribuir proventos quando há oportunidades de retorno mais elevado, cenário em que o ganho ao acionista vem sobretudo pela valorização do papel, como observa Carlos Heitor Campani, da CHC Finance.
Indicadores e cuidados
O dividend yield (DY) mede o retorno em dividendos em relação ao preço da ação e é usado como referência: yields acima de 10% ao ano são considerados elevados por alguns planejadores. Em março de 2026, o DY da Cemig calculado sobre os últimos 12 meses estava em 10%. CPFL e Taesa apresentavam yields na casa de 8% em 12 meses, e BB Seguridade cerca de 13%.
Imagem: Divulgação
Por outro lado, DY pode subir por queda no preço da ação, o que nem sempre é positivo — foi o caso da Oi, que teve DY de 17% em 2012 e 23% em 2013 antes de interromper o pagamento de dividendos e entrar em recuperação judicial em 2016 com dívida de R$ 65 bilhões.
Índices, reinvestimento e diversificação
Referências como o S&P Dividend Aristocrats Brasil reúnem empresas que mantiveram dividendos estáveis ou crescentes nos últimos cinco anos; há forte presença do setor elétrico nesse índice. Exemplos citados incluem Energisa, Engie, Cemig, Taesa e Copel. Nos últimos dez anos, Copel apresentou retorno total de 1.160% — cerca de 300% do CDI — e a Petrobras registrou retorno de 1.170% no mesmo período (301% do CDI).
Reinvestir dividendos aumenta significativamente o retorno acumulado: o ganho da BB Seguridade sobe de 166% para 264% em dez anos quando se considera o reinvestimento dos proventos; na Cemig, o resultado comparável passa de 220% para 270% do CDI; na Copel, de 300% para 370%; e na Petrobras, de 301% para 400% do CDI.
Para reduzir riscos, especialistas recomendam diversificação entre empresas que pagam dividendos e aquelas que reinvestem para crescer. Os ETFs de dividendos serão tema do próximo episódio da série, que conta com oito episódios no total.
A série “Estratégias para Viver de Renda” está disponível no canal do InvestNews no YouTube e nos primeiros vídeos é possível se inscrever para receber os episódios seguintes.
Com informações de Investnews

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6