Uma prática discreta de redução de pessoal chamada “ghost downsizing” tem sido identificada em empresas menores: cargos vagos não são repostos e parte das atribuições é transferida para funcionários remanescentes ou para aplicações de inteligência artificial (IA), segundo levantamento recente.
O fenômeno foi destacado por uma pesquisa da empresa polonesa de tecnologia Omni Calculator, que apontou que quase um terço dos trabalhadores percebe um aumento dessa estratégia nas organizações. Em vez de demissões abertas, gestores estariam optando por não contratar para vagas deixadas em aberto e por delegar tarefas a ferramentas de automação.
Percepção divergente entre funcionários e executivos
A pesquisa revela um desalinhamento entre a visão de empregados e de líderes: 30% dos funcionários afirmaram que suas equipes encolheram enquanto a carga de trabalho aumentou ou se manteve igual. Entre executivos, apenas 10% relataram a mesma situação.
O estudo sugere que mudanças provocadas pela adoção de IA podem ocorrer por meio da suspensão de contratações e da redistribuição de tarefas, em vez de por anúncios formais de demissão. Por isso, a compressão silenciosa de quadros tende a passar despercebida e demora a emergir nas estatísticas oficiais sobre redução de pessoal.
Como a IA tem sido implementada
Há também divergências sobre a influência da IA nas contratações: 43% dos empregados e 53% dos executivos afirmaram que a tecnologia não afetou o tamanho das equipes, apesar de evidências apontarem redução tácita de postos. Apenas 23% dos líderes disseram que suas empresas possuem um programa formal de preparação para a IA com orçamento específico; outros 40% descreveram a transição como improvisada.
Setores e perfis mais e menos vulneráveis
Funcionários e gestores concordaram em alguns pontos sobre a resistência ao avanço da automação. Quase 60% de ambos os grupos consideraram que trabalhos físicos ou manuais têm menor risco de automação. A maioria também apontou que habilidades de comunicação interpessoal atuam como proteção contra substituição por aplicativos de IA.
Quanto a competências mais difíceis de replicar por algoritmos, 38% dos empregadores e 27% dos trabalhadores citaram criatividade e pensamento estratégico.
Imagem: Divulgação
Por outro lado, o trabalho remoto aparece como especialmente vulnerável: 75% dos profissionais que atuam fora do escritório disseram temer perder a vaga para aplicativos. Esse receio encontra respaldo em pesquisa da Gallup que indica que trabalhadores remotos compõem uma parcela desproporcional dos desempregados nos Estados Unidos.
Além disso, o levantamento aponta que trabalhadores de baixa renda relatam maior preocupação com a possibilidade de o “ghost downsizing” impulsionado pela IA eliminar seus postos de trabalho.
O tema ganhou atenção internacional após republicação do conteúdo pela Inc., parceiro da Fast Company.
Com informações de Fastcompanybrasil

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6