Empresas de Franca, no interior de São Paulo, enfrentam uma escassez de mão de obra qualificada em setores como comércio, indústria calçadista e serviços. Com processos seletivos que se estendem por semanas, os empregadores relatam dificuldade para atrair candidatos e alto índice de desistências antes mesmo da contratação formal.

De acordo com gestores de fábricas de calçados, supermercados e lojas de rua, muitas vagas ficam abertas por períodos prolongados sem receber propostas suficientes. “Temos vagas em todos os departamentos, mas o número de inscritos é muito baixo, e alguns candidatos nem chegam a comparecer à entrevista”, explica um responsável por recursos humanos de uma indústria local.

Mudança de hábitos

Especialistas em mercado de trabalho apontam que a geração mais jovem evita o regime CLT tradicional, preferindo alternativas que ofereçam flexibilidade de horário e autonomia. Atividades como transporte por aplicativo, entregas de motocicleta, vendas online e produção de conteúdo digital atraem quem busca fugir das rotinas rígidas das empresas.

Além disso, há crescimento na procura por cursos na área de Tecnologia da Informação e serviços freelancers, modalidades que permitem escalonar ganhos de acordo com a demanda de trabalho e gerenciar o tempo de forma independente. Para muitos, esses formatos representam maior controle sobre a própria agenda e remuneração.

Tendência nacional

Imagem: Divulgação

O fenômeno não está restrito a Franca. Em diversas regiões do país, empregadores de supermercados, indústrias e escritórios de serviços relatam as mesmas dificuldades para fechar seus quadros de funcionários. Segundo levantamentos recentes, a migração para trabalhos autônomos e informais está cada vez mais presente na economia nacional.

Em grande parte dos municípios brasileiros, as empresas afirmam que precisam revisar salários, benefícios e políticas de atração para se manterem competitivas, diante da escassa oferta de mão de obra disposta a aceitar contratos formais. A expectativa é que, com o avanço das negociações salariais e ajustes nos modelos de contratação, alguns cargos acabem sendo preenchidos até o final do ano.

Enquanto isso, o mercado de trabalho em Franca segue em transformação, com empresários e candidatos buscando novas formas de conciliar as necessidades de quem contrata e de quem procura ocupação.

Com informações de Jornaldafranca