17 Abr (Reuters) – Importadores americanos aceleram preparativos para solicitar reembolsos de tarifas comerciais que a Suprema Corte declarou ilegais, enquanto o governo dos Estados Unidos lança um sistema eletrônico para consolidar esses pagamentos.

Executivos do setor dizem estar prontos para usar a nova plataforma, mas ressaltam riscos e dificuldades logísticas que podem atrasar ou dificultar o processo. Jay Foreman, diretor-executivo da fabricante de brinquedos Basic Fun — responsável por marcas como Tonka, Ursinhos Carinhosos e K’Nex — afirmou que a empresa está preparada para o início do programa de restituições anunciado para segunda-feira, embora tema que imprevistos possam atrapalhar a operação.

As tarifas foram impostas no ano passado como parte da iniciativa do presidente Donald Trump para reconfigurar as relações comerciais dos EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou as cobranças, abrindo caminho para que importadores busquem reembolso.

Em documento apresentado ao tribunal na terça-feira, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA informou ter concluído a fase inicial de desenvolvimento do sistema de reembolso chamado CAPE. A ferramenta pretende agrupar solicitações para que os importadores recebam pagamentos eletrônicos — com juros quando cabíveis — em vez de processar pedidos item por item, atendendo apelos por um procedimento mais simples.

De acordo com registros judiciais, até 9 de abril cerca de 56.497 importadores completaram as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, totalizando US$127 bilhões, mais de três quartos do montante elegível. Ao todo, mais de 330.000 importadores pagaram as tarifas contestadas em 53 milhões de remessas.

Entre os executivos que pretendem solicitar restituição está Matt Field, diretor financeiro da Oshkosh, fabricante de caminhões pesados com sede em Wisconsin, que descreveu o valor pago em tarifas como “impactante” e disse que irá acompanhar cada dólar. Field afirmou que planeja entrar com o pedido assim que o portal estiver disponível, mas pode aguardar para que o sistema se estabilize.

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Empresas menores e importadores manifestaram preocupação com a capacidade do portal diante do grande volume de solicitações. Jason Cheung, presidente da Huntar Co., que produz brinquedos nos EUA e na China, comentou que o registro exige dados bancários já conhecidos pelo governo e que diferenças mínimas no nome da empresa podem atrapalhar a inscrição — ele precisou de cinco tentativas para concluir o cadastro.

Apesar dos entraves, representantes de empresas que participaram do processo judicial que derrubou as tarifas veem com satisfação o anúncio do governo. Rick Woldenberg, presidente da Learning Resources, disse que há desafios práticos, mas considerou positivo que a administração esteja adotando medidas para efetuar os reembolsos; sua empresa busca mais de US$10 milhões, enquanto Foreman afirmou que a Basic Fun busca cerca de US$7 milhões.

O novo sistema deverá ser usado para gerir pedidos de restituição referentes às tarifas consideradas indevidas, mas importadores e executivos acompanham com cautela a implementação e o fluxo inicial de solicitações.

Com informações de Infomoney