ByteDance arma data center de R$200 bilhões no Pecém e transforma ventos em “bytes verdes”

Casa dos Ventos reúne parques eólicos, cabos submarinos e ZPE para exportar capacidade computacional de baixo carbono

O Complexo do Pecém deve receber um data center ligado à ByteDance que, no somatório dos investimentos previstos, alcança a marca de R$200 bilhões. A novidade coloca o Ceará no mapa global de infraestrutura digital ao conectar geração renovável em larga escala a demanda crescente por processamento — ideia que a Casa dos Ventos resume como “exportação de elétrons”. Liderada pelo empresário Mário Araripe e articulada pelo executivo Lucas Araripe, a iniciativa promete transformar energia eólica em serviços digitais de alto valor, atraindo interesse internacional e colocando o Pecém como um hub para operações de tecnologia.

Estrutura, números e impacto local

O projeto será abastecido por parques no Ceará e no Piauí que representam, em conjunto, investimentos da ordem de R$11 bilhões e cerca de 2,1 GW instalados. A primeira etapa do data center prevê cerca de 300 megawatts e um aporte estimado em US$10 bilhões. Para viabilizar o fornecimento, a OMNIA Data Centers e a Casa dos Ventos fecharam um acordo de aproximadamente US$2 bilhões que prevê fornecimento dedicado de energia — no modelo de autoprodução, a parceira ganha participação nos ativos de geração. A Casa dos Ventos também destinará cerca de R$4 bilhões à implantação dos parques vinculados ao empreendimento. A ZPE Ceará ressalta que a combinação entre energia renovável competitiva, porto e cabos submarinos criou um ambiente favorável; em conjunto, empresas envolvidas estimam mais de 6 mil empregos diretos durante construção e operação. Além da ByteDance, há conversas com outras companhias de tecnologia interessadas em replicar o modelo, o que pode ampliar a cadeia de investimentos e consolidar o Pecém como polo de energia limpa e processamento de dados em escala.

Imagem: divulgação/Governo do Estado