Copa 2026: quais varejistas da Bolsa podem ganhar — e quais enfrentam queda de movimento

Com menos de duas semanas para o pontapé inicial, analistas apontam vencedores em roupas, eletrônicos e bebidas — e alertam para queda de fluxo em lojas físicas nos dias de jogo

Faltam minutos para a abertura da Copa do Mundo de 2026 e o mercado já recalcula apostas. Em campo estão nomes do varejo que devem surfear um pico de demanda — principalmente em camisas oficiais, TVs e bebidas — enquanto pontos físicos correm o risco de ver movimento minguar em dias de partidas importantes. Bancos e casas de análise traçam um cenário de ganhos concentrados e efeitos temporários, com impacto distinto entre canais e categorias.

Quem sobe, quem sente o baque e os números que chamam atenção

Na lista de potenciais beneficiados aparecem varejistas esportivos: o Grupo SBF é citado com mais força por estimativas de aumento expressivo na procura por material oficial. A própria companhia projeta vendas na casa de quase 850 mil camisas oficiais, a que se somariam cerca de 150 mil itens adicionais ligados ao torneio, segundo dados de mercado. Relatórios de bancos como BTG e Safra destacam que as categorias de futebol registram margens superiores e costumam crescer entre 20% e 40% durante o ciclo da Copa — num movimento que em 2022 chegou a gerar avanços de cerca de 30% para segmentos selecionados.

Na eletrônica, a corrida por telas e equipamentos auxiliares reaquece hábitos de compra: levantamento de ocasiões passadas mostra saltos acentuados nas vendas de TVs em janelas promocionais que coincidiram com competições e datas como Black Friday. Plataformas com logística rápida — Mercado Livre e Amazon — aparecem em posição favorável por oferecerem frete ágil e preços competitivos; varejistas tradicionais como Magazine Luiza e Casas Bahia devem lucrar com campanhas e presença omnicanal, embora apresentem preços médios superiores em determinadas categorias.

No segmento de bebidas, a combinação de calendário esportivo e clima mais ameno dá vantagem a marcas associadas ao consumo fora de casa, com analistas apontando viés positivo para empresas como a Heineken no curto prazo.

Imagem: Divulgação

Ao mesmo tempo, há sinal de alerta para o varejo físico: dados históricos usados por bancos mostram quedas de até 10% a 15% no volume de vendas em dias em que a seleção nacional jogou, em comparação com dias úteis similares. Isso indica que, apesar do boom por produtos ligados à Copa, o tráfego em lojas pode cair nas noites e fins de semana com partidas relevantes — beneficiando canais digitais e estratégias de venda remota.

O resultado final do torneio, a agenda de jogos do Brasil e a capacidade das empresas de capturar demanda rápida no digital devem definir quem realmente celebra na Bolsa quando o apito final soar.