Eleições em 5 países que dominam minério e cobre podem virar o jogo para mineradoras

Goldman Sachs alerta para risco político sobre impostos, licenças e exportações que podem mover preços e investimentos

Terras rarasCinco votações nacionais — em países que respondem por cerca de um quarto a quase um terço da oferta global de minério e cobre — entram no radar de mercados e empresas. Para o banco de investimento, mudanças nas regras locais podem transformar projetos lucrativos em ativos mais arriscados, com impacto direto em cadeias globais e preços de commodities.

Por que isso importa agora

Após a entrega de minas ou projetos, as empresas ficam dependentes de decisões políticas: revisão de royalties, exigências ambientais, restrições a exportações e direção da política energética. Em um ambiente já tensionado por choques geopolíticos, cada eleição tem potencial de alterar custos, cronogramas e a atratividade de novos investimentos.

Brasil

O país responde por parcela significativa do minério de ferro embarcado globalmente. A disputa eleitoral acirrada entre os principais candidatos amplia incertezas sobre tributos, fiscalização ambiental e possíveis políticas de proteção a minerais estratégicos.

Uma guinada mais intervencionista pode acelerar propostas de controle sobre exportações de minérios não processados e elevar a pressão por maiores receitas fiscais. Do outro lado, orientações pró-mercado prometem aliviar regras e acelerar licenciamentos. O resultado tem efeito direto sobre grandes ativos nacionais — entre eles, produtores integrados e projetos de minério de ferro que contribuem de forma relevante para o resultado operacional das mineradoras.

Também estão em foco os royalties sobre a extração. A taxa utilizada hoje vem de reformas anteriores, mas o debate sobre sua revisão aparece com força quando a necessidade de arrecadação pública aumenta. Qualquer alteração costuma refletir rápido nas avaliações de projetos e na disposição de investidores estrangeiros.

Peru

Responsável por uma fatia relevante do cobre mundial, o país vive cenário eleitoral que pode inclinar políticas para maior abertura ao capital ou impor limites às concessões minerais. Propostas de reduzir prazos de concessões ou de endurecer regras de operação afetam a previsibilidade necessária para grandes investimentos em mineração.

Empresas com operações locais, grandes projetos de cobre e cadeias de suprimento integradas terão de recalibrar planos caso mudanças contratemporais avancem no Congresso.

Zâmbia

Na África, a continuidade de governos vistos como estáveis tende a atrair capital para exploração e processamento. A reeleição de líderes comprometidos com estabilidade econômica reduz o custo de risco para projetos locais, enquanto rupturas políticas elevam o prêmio de risco e encarecem financiamento.

Imagem: Divulgação

Suécia

O eleitorado europeu decidirá também rumos regulatórios críticos para mineração e siderurgia: licenciamento, metas de descarbonização e segurança energética. Reformas nesse eixo influenciam desde a produção de aço até a oferta de metais de alto valor agregado usados em tecnologia limpa.

Estados Unidos

Eleições de meio de mandato podem alterar a agenda comercial e fiscal, além das prioridades em minerais estratégicos. Políticas públicas que privilegiem incentivos industriais ou proteções ao setor mineral mudam o apetite por ativos domésticos e por compras no exterior, com reflexos em preços — inclusive do ouro — no médio prazo.

O pano de fundo geopolítico

Conflitos e tensões internacionais já pressionam custos de energia e logística. Em um cenário onde disputas aumentam a volatilidade de suprimentos, decisões locais sobre investimentos, controles de exportação e parcerias internacionais ganham peso maior na avaliação de risco das empresas do setor.

Quem fica mais exposto

Produtoras com grande operação nos países citados, ativos de ferro e cobre de alta representatividade e empresas integradas na cadeia de aço e metais fundamentais para tecnologia estão entre as mais sensíveis às mudanças. Movimentos sobre royalties, licenças e exportações tendem a provocar ajustes de preço, reprecificação de projetos e revisões estratégicas de investidores.

Fecho

As urnas, mais que um termômetro político, podem redefinir o mapa de riscos e oportunidades do setor mineral. Para empresas, governos e mercados, 2026 promete ser um ano em que decisões locais terão efeitos globais — em contratos, na oferta de insumos e no balanço final de grandes projetos.