BBI aposta que fusão com CBO transforma OceanPact em aposta de alto retorno entre small caps

Banco elevou preço‑alvo para R$15; combinação criaria frota de 73 embarcações e alteração profunda no caixa

Navios de apoio offshore da OceanPactO Bradesco BBI reajustou as projeções para a OceanPact após o anúncio da fusão com a CBO, elevando o preço‑alvo de R$10 para R$15 e reforçando a recomendação de compra. TRANSMISSÃO: Record. Na sessão, por volta das 14h (horário de Brasília), as ações registraram alta de 5,17%, negociadas a R$10,78 — sinal de que o mercado já reage à nova configuração do setor.

Escala que muda o jogo

A união das duas companhias resultaria numa frota com 73 embarcações — 28 da OceanPact e 45 da CBO — tornando a nova empresa a segunda maior do país em embarcações de apoio offshore, atrás apenas da Bram Offshore. Com participação estimada de cerca de 15% no mercado doméstico, a operação também colocaria a companhia entre as maiores do mundo, em patamar comparável ao DOF Group.

O impacto nas previsões financeiras

O BBI projeta uma alteração significativa na geração de caixa: o fluxo por ação previsto para 2026 saltaria para R$0,79, frente a uma estimativa negativa caso a OceanPact seguisse sozinha. No horizonte 2026‑2030, o rendimento médio de fluxo de caixa livre para acionistas subiria para aproximadamente 12%, acima dos 8,6% estimados no cenário isolado. A expectativa de dividendos também melhora, indo a uma média próxima de 15% quando se excluem eventuais reivindicações.

Cenários e potencial de valorização

O banco traça três caminhos: um cenário base que incorpora sinergias operacionais, administrativas e de capex; um cenário otimista que leva o papel a R$20; e um cenário conservador em R$13. Mesmo na hipótese menos favorável, há espaço para ganho relevante — e, na melhor versão, a valorização pode ultrapassar 100% em relação aos níveis atuais.

Catalisadores que podem acelerar a reavaliação

Entre os gatilhos para o mercado, o BBI destaca a integração eficiente das operações, a recontratação das embarcações inativas herdadas da CBO e a melhora da liquidez das ações, especialmente se investidores de private equity reduzirem posição. Esses movimentos, combinados, são vistos como capazes de transformar margem e caixa em curto a médio prazo.

Imagem: Divulgação

Riscos que podem frear a tese

A operação não é isenta de percalços. A integração complexa entre frotas e equipes, atrasos na recolocação dos navios ociosos, uma eventual desaceleração no ciclo offshore e a baixa liquidez dos papéis aparecem como fatores que podem limitar o upside projetado.

Valuation e atratividade relativa

Na leitura do banco, a nova empresa negociaria em torno de 4,5 vezes EV/Ebitda para 2026 — desconto relevante frente à média global do setor e também em relação a pares como a Tidewater. Esse ponto de partida, somado ao potencial de dividendos acima de dois dígitos entre 2026 e 2027, é apresentado pelo BBI como um argumento forte para incluir a ação entre as preferidas em small caps.

Conclusão

A possível fusão redesenha o mapa do segmento offshore no Brasil e transforma a OceanPact em uma história que combina escala, potencial de geração de caixa e retorno ao acionista. Os próximos passos — integração operacional e realocação de embarcações — serão decisivos para confirmar se a prometida assimetria de valor se concretiza.