O aumento da volatilidade nos mercados, medido pelo índice VIX — conhecido como “índice do medo” — tem refletido um ambiente de maior estresse entre investidores. Decisões políticas que afetam o comércio internacional, conflitos no Oriente Médio com impacto nos preços do petróleo e denúncias de fraudes corporativas contribuíram para elevar a tensão e testar a confiança em diferentes classes de ativos.

Especialistas ouvidos apontam que, além do impacto financeiro, esse cenário revela fragilidades comportamentais que podem amplificar perdas. Reações instintivas a quedas abruptas de preços frequentemente levam a decisões precipitadas que prejudicam o patrimônio.

Ruído informativo e gatilho emocional

Cristiano Luersen, especialista em investimentos e sócio da Wiser Investimentos, afirma que um erro recorrente é não distinguir entre proteção do patrimônio e respostas emocionais. Segundo ele, o excesso de informação estimula a chamada heurística da disponibilidade — a tendência de supervalorizar eventos recentes e amplamente divulgados.

Para Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, a informação útil em momentos de turbulência deve se concentrar em fundamentos: balanços das empresas, a saúde do setor e a política econômica mais ampla. Notícias que provocam vontade de mudar uma estratégia de longo prazo em poucos minutos devem ser tratadas como gatilho emocional, não como base para decisões.

Inércia estratégica versus viés de ação

Em mercados voláteis, muitos investidores sentem um impulso intenso de “fazer algo” para retomar o controle. Esse viés de ação pode levar a operações desnecessárias. A chamada inércia estratégica — manter posições quando os fundamentos dos ativos permanecem sólidos — costuma ser a opção mais adequada, afirmam os especialistas.

Patzlaff observa que negociar no calor do momento tende a cristalizar prejuízos e a gerar custos extras de corretagem. Se a carteira foi construída seguindo um planejamento adequado, esperar a volatilidade passar costuma preservar o objetivo inicial do investimento.

Efeito manada e risco de crédito

Notícias sobre recuperações extrajudiciais e fraudes bancárias têm aumentado o nervosismo no mercado de crédito privado. Um erro frequente é extrapolar o problema de uma empresa para todo o setor e resgatar ativos saudáveis por pânico. Luersen compara essa reação à venda de um imóvel de qualidade apenas porque outro, em bairro diferente, teve problemas.

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Patzlaff alerta que vender bons títulos em pânico geralmente implica venda com deságio e prejuízo evitável. A diversificação é apontada como defesa adequada contra contágios psicológicos que não correspondem a risco real de crédito.

Teste do investimento novo e ancoragem

A ancoragem ao preço de compra leva investidores a manter ativos deteriorados para evitar reconhecer perdas. Para diferenciar paciência de negação, especialistas recomendam o “teste do investimento novo”: avaliar se, com o preço disponível hoje, se voltaria a comprar o ativo. Se a resposta for negativa, pode ser mais prudente realizar a perda e realocar recursos.

Como se blindar

Entre as práticas sugeridas para evitar decisões impulsivas estão a proibição de vendas no calor do pregão e a criação de uma “janela de reflexão” de 24 horas, proposta por Luersen, na qual o investidor registra os motivos racionais para a saída e revisa a decisão no dia seguinte. Ter um Investment Policy Statement (IPS) acordado com um consultor também funciona como um contrato que disciplina decisões em momentos de pânico.

Por fim, Patzlaff ressalta a importância de reconhecer os riscos inerentes a todo investimento e adotar mecanismos de proteção, como manter valores de renda fixa dentro dos limites do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e checar garantias dos papéis.

Com informações de Borainvestir.b3