Abelardo de la Espriella assume presidência e centra discurso na segurança
O novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, fez seu primeiro pronunciamento público na sexta-feira (7) em Cali, onde determinou às forças militares e policiais que adotem uma postura firme contra as organizações criminosas que, segundo ele, ameaçam o país. A cerimônia de posse ocorreu no Batalhão Pichincha, depois de o evento ter sido transferido de sua forma tradicional no Congresso, em Bogotá, para um auditório da Universidade Santiago de Cali.
Em tom enfático, o ultradireitista afirmou que o governo dará proteção e garantias jurídicas aos agentes de segurança para que possam cumprir suas funções sem sofrer perseguição. Espriella reiterou compromissos de campanha na área de segurança pública, entre eles a proibição de negociações com grupos armados, a construção de penitenciárias de grande porte e a retomada da fumigação aérea de plantações de coca.
Segundo o presidente, a opção pelo diálogo com organizações armadas está esgotada e o objetivo de seu governo é recuperar a ordem, a autoridade e a liberdade no país. Ele também anunciou a intenção de revisar a Jurisdição Especial para a Paz (JEP), criada pelo acordo de paz de 2016 que desarmou as Farc, para reavaliar a natureza e os efeitos do tribunal que julga violações cometidas durante o conflito.
Na esfera internacional, Espriella disse que pretende tirar a Colômbia do que chamou de “ideologização” das relações externas e aproximar o país de iniciativas regionais de combate ao crime, anunciando a entrada no Escudo das Américas, coalizão apoiada pelo presidente dos EUA para enfrentar cartéis e redes transnacionais.
Além de segurança, o discurso abordou perseguições a casos de corrupção do governo anterior e medidas econômicas imediatas: o novo presidente prometeu apresentar provas de irregularidades envolvendo a gestão de Gustavo Petro e editar um decreto para congelar despesas públicas, argumentando que o regime anterior elevou os gastos com base em endividamento.
A posse reuniu dezenas de parlamentares em Cali; parlamentares do Pacto Histórico, partido de Petro, em sua maioria não participaram da cerimônia e parte deles protestou na cidade, enquanto outros se manifestaram em Barranquilla liderados por Iván Cepeda, que convocou desobediência civil e anunciou a criação de um “Gabinete pela Vida” para contestar políticas do novo governo.
O ato teve forte carga religiosa: havia no palco uma imagem da Virgem de Fátima, a cantora Maía entoou cânticos, e líder religiosos — um rabino, um pastor e um padre — conduziram orações. Nos dias anteriores, o avião presidencial recebeu bênção de um padre e o gabinete participou de um retiro em Barranquilla, atitude que o novo ministro da Habitação, Jaime Beltrán, descreveu como preparação espiritual para a gestão.
Imagem: Matias Delacroix/ AP
Estiveram presentes líderes da nova onda conservadora na região, entre eles os presidentes José Antonio Kast (Chile), Javier Milei (Argentina), Daniel Noboa (Equador) e Santiago Peña (Paraguai). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu e enviou o chanceler Mauro Vieira. Também marcaram presença Ramón Jesurún, presidente da Federação Colombiana de Futebol, e Gianni Infantino, da Fifa.
Gustavo Petro deixou a Casa de Nariño acompanhado da filha Antonella e de membros do gabinete, afirmando que suas ações foram em benefício do povo ao se despedir do cargo.
O pronunciamento de Espriella incluiu referências aos valores familiares, disciplina, respeito à lei e fé, que ele disse pretender recuperar como parte de uma “batalha cultural”.
Com informações de Valor.globo

Gudyê GR6 é editor-chefe e especialista em tendências musicais e entretenimento na GR6, a maior produtora de funk do Brasil. Com anos de experiência no mercado fonográfico, Gudyê lidera a equipe de conteúdo trazendo as últimas notícias sobre música, cultura urbana. Autor do Post: Gudyê GR6