Levantamento da Spectra Investimentos, baseado em dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), indica que 72% dos fundos de corporate venture capital (CVC) no Brasil apresentaram taxa interna de retorno (TIR) negativa. A análise considerou 32 veículos de investimento e aponta uma TIR média de -10%, mediana de -12% e retorno do quartil superior em 2%.

O relatório reforça que o momento de expansão dos CVCs ocorreu em 2021 e 2022, quando foram criados 18 e 22 fundos, respectivamente. Em 2023 esse ritmo desacelerou para cinco novos programas e, em 2024, foram abertos apenas dois veículos.

A Spectra assinala que, embora 30% da amostra tenha menos de três anos de existência — período em que a curva J do venture capital pode ainda influenciar resultados — esse fator não explica totalmente o desempenho global fraco. Entre os poucos fundos com retorno positivo, somente 10% apresentaram TIR na faixa entre 25% e 50%.

O estudo também destaca o caráter estratégico de muitos programas corporativos. Nem todos os CVCs têm como objetivo primário a maximização financeira; alguns priorizam inovação e integração de competências com a atividade principal da empresa-mãe. Ainda assim, 34% dos investimentos analisados foram direcionados a empresas em setores sem relação direta com o core business do patrocinador.

Saídas, aquisições e write-offs

Foram identificadas 23 startups que receberam investimento de um CVC e depois foram adquiridas pelo próprio fundo patrocinador, o que evidencia movimento de incorporação de tecnologia e know-how. O levantamento mapeou 14 write-offs e 31 saídas de startups vendidas a outras corporações. Do total de saídas, 34% foram para as patrocinadoras dos CVCs, o que corresponde a 4% do universo total dos investimentos.

Comparação por tipo de operação

Ao examinar 173 investimentos individuais registrados nas demonstrações financeiras na CVM, a Spectra separou os casos em três categorias: co-investimentos com fundos tradicionais de venture capital, co-investimentos com VCs mais novos e operações conduzidas de forma independente pelos CVCs.

Imagem: Divulgação

Os investimentos independentes apresentaram a menor proporção de retornos negativos (25%), mas também o menor percentual de ganhos elevados — apenas 10% superaram TIR de 25%. Co-investimentos com VCs tradicionais e com VCs mais jovens exibiram perfis semelhantes: cerca de 6% dos negócios alcançaram retorno acima de 50% e entre 11% e 12% ficaram entre 25% e 50%. Aproximadamente um terço desses co-investimentos registrou TIR negativa.

No quesito write-offs, co-investimentos com VCs mais novos tiveram 5% de perdas totais na amostra, enquanto os co-investimentos com fundos tradicionais não apresentaram write-offs no recorte analisado. Em termos de múltiplos sobre o capital investido (MOIC), 3% dos co-investimentos com VCs mais jovens superaram 10 vezes e outros 3% ficaram entre 5 e 10 vezes; entre co-investimentos com VCs tradicionais, 11% alcançaram múltiplos entre 5 e 10 vezes. Nos investimentos independentes, apenas 4% superaram múltiplos de 2,5 vezes.

A pesquisa aponta que, embora muitos CVCs atuem com objetivos estratégicos, o retorno financeiro médio dos fundos no Brasil tem sido negativo, o que pode explicar a retração na criação de novos veículos desde 2023.

Com informações de Infomoney